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A sua relação consigo e com o outro pode ser a resposta.

 

Ambiente de trabalho

O crescimento das organizações e as movimentações econômicas dependem, necessariamente, dos milhões de trabalhadores no mundo. Mas, no ambiente profissional, tudo pode alterar o equilíbrio e impactar no resultado. Logo, colocar o negócio em uma rota de desenvolvimento contínuo se tornou questão de sobrevivência.

Nesse sentido, as empresas buscam mão de obra cada vez mais talentosa e qualificada. Afinal, a globalização acirrou a competitividade de mercado, gerando grandes mudanças desde o uso de novas tecnologias até os modelos de gestão de pessoas, processos, resultados, negócios e clientes.

Esse ambiente tem sido tão intenso e veloz que, segundo vários pesquisadores, haverá picos de ausência de profissionais qualificados a cada cinco anos em inúmeras economias globais. E, para cada novo pico, ocorrerá o declínio de muitas carreiras e profissões.

Diante deste cenário, o ideal é usar as transformações sofridas pela carreira como oportunidades para desenvolvê-la. Mas cabe reforçar que, nesse processo, todo cuidado é pouco no que diz respeito ao ego. Afinal, comportamentos em que prevaleça o uso indiscriminado dele podem representar uma armadilha – e não uma força. O mesmo vale para sua total ausência ou negligência.

O Ego

Para entender o ego do ponto de vista prático, é necessário refletir sobre dois fatores: autoconhecimento e competência social:

Autoconhecimento

É a base para a compreensão do “eu”: como se relaciona consigo e com o mundo. Nesse sentido, destacam-se alguns pontos:

  • Conhecimento de forças e fraquezas;
  • Conhecimento de suas capacidades técnicas e comportamentais; 
  • Campo de domínio de algumas competências;
  • Aprendizados reconhecidos como oportunidades;
  • Maturidade emocional.

Competência social

  • É a capacidade de se relacionar em grupo, pedindo e oferecendo apoio, ressignificando novas soluções e integrando mudanças ao ambiente de trabalho. Isso requer:
  • Empatia e autoconfiança;
  • Reconhecer a complexidade das relações;
  • Flexibilidade mental e emocional;
  • Proatividade de “fazer acontecer”.

Ao avaliar esses dois principais pontos, nota-se que eles caminham do “eu” para o “nós”. Se pensarmos em uma linha imaginária em que o “eu” é uma extremidade e o “nós” a outra, é possível fazer a seguinte reflexão: “Estou mais próximo de qual delas?”

É claro que a resposta depende de vários aspectos e pode mudar de acordo com as situações. Isso nos leva a uma nova ponderação:

Quais são os impactos das circunstâncias em mim e ao meu redor?

Se a conclusão vier acompanhada da sensação de que os dois lados crescem, a chance de estar no caminho certo é grande.

Lembre-se! É importante ser bem honesto nessas duas reflexões. Se necessário, consulte um profissional experiente em tais análises e busque o feedback de pessoas com as quais esteja envolvido. Vale salientar que a leitura equivocada desses pontos pode trazer vários desequilíbrios pessoais e profissionais.

O ego pode até nos ajudar na jornada da autoconfiança, mas a linha divisória entre ele e a arrogância é muito tênue. Os motivos podem ser inúmeros, tais como: mecanismo de defesa, imaturidade emocional, distorção da realidade no momento de justificar os erros e crenças pessoais brutalmente encaixadas no contexto organizacional.

Aliviando a pressão

Procurar ajuda e sinalizar fraquezas no ambiente de trabalho não deveria ser motivo de humilhação, constrangimento nem sinônimo de autoestima baixa. Buscar apoio revela comprometimento.

Por outro lado, a permanência em um estado de insegurança extrema pode levar ao adoecimento, pois o ego, por estar fragilizado, acaba se sujeitando a situações nocivas.

Fazer-se de forte o tempo inteiro também traz uma perspectiva muito reduzida, vez que leva à exaustão e, consequentemente, ao adoecimento.

Então qual é a melhor alternativa? Trabalhar de forma profissional em um clima de solidariedade, aliviando pressões emocionais e buscando soluções táticas ou estratégias para diminuir os impactos das adversidades.

Buscar recursos que possam auxiliar nessa jornada pode ser determinante para uma carreira em constante crescimento. Isso se deve a complexidade e nuances envolvidas no processo: o que você controla e o que não pode controlar.

Uma proposta...

O objetivo das dicas a seguir é contribuir para o uso mais equilibrado dessas forças interiores e exteriores para maior crescimento profissional:

A.  Analise comportamentos e pensamentos padrões;

B. Obtenha informações, contextos e estabeleça um foco de ação;

C. Considere, de verdade, a coerência da situação. Desarme e se arrisque para enxergar novas hipóteses;

D. Em seu ambiente de trabalho, descubra profissionais com os quais se identifique mais e confie neles para trabalhar algumas questões;

E  Perceba que é necessário se entregar a um processo de “pedir ou oferecer ajuda” e desfrute desse momento;

F.  Considere o que o outro diz, entendendo a perspectiva e o motivo que o faz agir desta ou daquela maneira (seja para você aprender ou ajudar).

Essa autoconsciência possibilitará ao “ego” agir em consonância com o todo, promovendo uma compreensão do outro durante o processo. Esta é uma realidade futuro/presente para crescimento de carreira, em que o espaço de desenvolvimento profissional é um quesito essencial.

Considere aprender um passo de cada vez. Não há necessidade de extrapolar ou encarar todos os itens ao mesmo tempo.  Assim como em uma maratona, é necessário considerar qual o percurso e o quão perto está da linha de chegada.

Ser resiliente e ponderar todo esse crescimento, buscando reconhecer pequenas vitórias e observando as nuances desse processo humano chamado ego, será determinante.

 

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Ou melhor: Como não deixar de fazer planejamento de carreira durante a pandemia? 

 

1.   Pandemia e mudança de planos 

Quando a pandemia da Covid-19 foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em março de 2020, era praticamente impossível prever qual seria o real impacto disso. 

Na prática, quase todos os projetos precisaram ser revistos em termos de estratégia e operacionalização. Quem estava planejando férias, aumento de salário ou até mesmo o desenvolvimento de alguma competência específica, precisou repensar a situação.

Tudo parece ter acontecido de maneira repentina. O isolamento passou a ser uma regra contra a propagação do vírus. 

Diante deste cenário, nos vimos obrigados a fazer as coisas de formas distintas, cada um à sua maneira e dentro de suas possibilidades.  Logo, as diferenças começaram a estampar uma realidade brutal, vez que nem todos têm os mesmos recursos e habilidades.

  • Você se lembra daquele amigo de trabalho que não tinha internet nem computador em casa?
  • E daquela líder que tinha dificuldade de estabelecer horários e agora precisa se esforçar para conciliar a sua nova rotina com as aulas on-line dos filhos?
  • E daquela promoção tão esperada que foi colocada em segundo plano, pois a necessidade agora é absorver outras atividades (desligar, ressignificar estratégias e manter o mínimo fazendo o máximo) até porque o termo austeridade nunca se fez tão presente?

Enfim, tudo mudou.

O que temos em comum?

Em comum, sem dúvida, temos o vírus. A pandemia trouxe à tona dificuldades, limitações e tudo o que nos define como indivíduo único com nossas particularidades. O que parecia estranho e diferente foi se ajustando e se aproximando por meio da tecnologia.

Em meio a tantas reuniões embaraçosas, pela falta de organização ou clareza do que precisava ser feito, alguns elementos permaneciam: a voz, a imagem (quando era possível), os problemas, as limitações, os medos, a confiança, a perseverança.

Via de regra, a pandemia está mexendo com a saúde mental de todo mundo. Não é por menos. Basta aprofundar um pouco a conversa para ouvir dificuldades como: diminuição da renda familiar; perda de entes queridos; insegurança; falta de concentração, baixa produtividade e cansaço levado a potência máxima.

O fato é que a incerteza fez a ansiedade decolar e uma pergunta se tornou comum nos consultórios médicos: “Esta falta de ar é ansiedade ou Coronavírus?”. E os sintomas físicos da ansiedade podem ir além: tensão muscular, insônia, palpitações, suor excessivo e dores de cabeça são alguns exemplos.

Por outro lado, a pandemia reaproximou as pessoas mesmo que virtualmente. O relacionamento digital que, no início, era visto por alguns como complexo, difícil e exaustivo, agora passou a ser encarado como alternativa viável.

Evolução na carreira: novas possibilidades

O olhar sobre a carreira mudou de forma drástica nos últimos anos sobretudo em razão das redes sociais que propiciaram maior interação, integração e exposição. Foram disponibilizados novos recursos que modificaram a forma de se ver e ser visto, apresentar e ser apresentado. Essa conexão tem sido potencializada dia após dia.

Assim, a compreensão de trabalho e mercado se tornou multifacetada com mutações perceptíveis. A quantidade de informações, assim como a forma de coletá-las e avaliá-las, afetou a maneira de conduzir e compreender a carreira.

O tempo investido em uma experiência profissional se tornou mais relativo e menos engessado. As formações passaram a ser consideradas fundamentais e capazes de definir habilidades, comportamentos e competências específicas para cada contexto e vivência.

Os conhecimentos pessoais, a exemplo dos que promovem bem-estar, satisfação e felicidade, foram considerados e quantificados como uma base de dados capaz de definir ações para orientar, de forma personalizada, a carreira e as expectativas das organizações e mercados.

Tudo se transformou em uma grande escola prática a ser considerada no planejamento da carreira. E nunca fez tanto sentido quanto agora, neste momento de crise, em função da pandemia, ter o máximo de certeza do que se quer. Suas escolhas podem lhe custar estar ou não empregado.

Planejar sempre é preciso!

O planejamento de carreira sempre será necessário com ou sem pandemia. Carreira é algo extremamente dinâmico e em movimento com o mercado. Então, planejá-la sempre pode ser uma questão de sobrevivência à empregabilidade

Diferentemente do que se pode pensar, planejamento é um instrumento poderoso que precisa ser considerado constantemente. Isto é, o fato de tê-lo realizado anteriormente não exclui a necessidade de revisitá-lo para criar novas oportunidades e ajustar metas e prazos.

Os impactos trazidos pela pandemia atingiram os mais variados aspectos da vida.  E, na carreira, não é diferente, seja por desligamento, ajuste de remuneração, jornada de trabalho, novos modelos de gestão. Todas essas alterações podem criar oportunidades infinitas para a carreira. Então, a chance que se tem para dar um passo certo é, sem dúvida, o planejamento.

Este planejamento de carreira dependerá da maneira como o mercado irá se relacionar com o que você busca e o que poderá ofertar. Deste modo, o planejamento em situações incertas, perturbadoras e que causam medo pode dizer muito sobre a forma de lidar com pressão.

É óbvio que se trata de algo extremamente crítico, principalmente no que diz respeito à trajetória profissional. Indiscutivelmente, gerenciar as emoções conflitantes encontrando a equivalência em oportunidades de crescimento, é tarefa para quem se conhece. 

Para lidar melhor com a realidade atual, enfrentando a pressão da incerteza, tempo e força de trabalho, algumas dicas são importantes:

Como fazer

  1. Avalie os seus propósitos e objetivos;
  2. Observe a trajetória de todo o currículo;
  3. Tenha clareza do seu perfil: forças e fraquezas, saindo de avaliações de senso comum;
  4. Observe como o mercado vem se comportando;
  5. Compare o momento atual com a realidade futura;
  6. Trace um plano de desenvolvimento;
  7. Execute um plano de ação em curto, médio e longo prazo.

Em situações de crise, não temos elementos suficientes para compreender, lidar e controlar aspectos físicos e emocionais. A nossa tendência é acreditar que isso também se aplica à carreira. Isso não é verdade!

Tratando de carreira, existe a possibilidade de assumir o controle. Ao considerar que momentos adversos trazem conhecimento, é admissível criar mapas de percurso, utilizar ferramentas e recursos minimamente aplicáveis em qualquer circunstância.

A habilidade de mudar a perspectiva em determinadas situações pode ser um grande diferencial na carreira. Afinal, enxergar e perceber algo que não estamos habituados é um exercício extremamente enriquecedor no campo profissional e pessoal.

Avaliar a carreira em plena pandemia pode parecer uma missão impossível. Para alguns, o máximo a ser feito, neste momento, é garantir o emprego. No entanto, a carreira precisa estar constantemente na estrada. E isso exige planejamento e tempo de execução.

 A sua carreira é sua ou do mundo?

A jornada da vida, na qual se insere a carreira, é dinâmica e espera por nossa atitude ativa e altiva. Como bem diz a música “Travessia”, de Milton Nascimento: “Solto a voz nas estradas, já não quero parar”.

Durante o planejamento profissional, cabe refletir: A carreira é minha ou do mundo? A resposta não é uma equação matemática e requer conhecimento, sendo necessário analisar se está ou não preparado para pensar no assunto de forma ampla, incluindo as funções e onde são desempenhadas.

Para atingir resultados, reduzir custos e aprimorar talentos, as organizações precisam de planejamento. A mesma lógica deve ser aplicada à carreira, sobretudo em momentos de crise, a exemplo da atual.

Assim como em uma empresa, a carreira precisa ser considerada um organismo vivo, que precisa de estratégias para ser sustentável, competitiva e rentável; receber e fazer investimentos; além de gerenciar pessoas que podem melhor contribuir.

Voltando à pergunta mencionada anteriormente, é possível perceber que temos nas mãos a carreira, mas que, igualmente, ela tem vida própria e caminha (ou se estagna) à medida que o mundo se mexe e suas relações se movimentam.

Planejamento de carreira tem início, meio e fim. Encontrar constantemente novos caminhos precisa estar associado à realidade de mudanças do mercado. Sendo assim, indiscutivelmente, a pandemia repercute drasticamente na carreira de todos.

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1. O que não é trabalho

No livro “O que é trabalho” (1988), a escritora e educadora Suzana Albornoz descreve que trabalho pode significar a aplicação das forças e faculdades humanas para alcançar um determinado objetivo ou indicar empenho. Mas o contexto pode ser muito mais amplo e desafiador, vez que compreender todas as implicações subjetivas do trabalho, em termos de representatividade, é algo complexo.

O que não é trabalho

I. Vaga de emprego;

II. Estar empregado;

III. Somente remuneração;

IV. Sinônimo de profissão.

E a lista pode ser ainda mais longa... O fato é que o trabalho nos distingue dos outros seres vivos e se diferencia por toda complexidade cognitiva, emocional, produtiva, de utilidade e de tantas formas confiáveis de eficiência. (Aprofunde mais um pouco com a diferença entre emprego e carreira)

Nesse contexto, você já parou para pensar no quanto o trabalho evoluiu e se reconfigurou ao longo dos anos, quantas profissões ainda vêm sendo reconhecidas e quantas pessoas se encontram marginalizadas por essa (não) estruturação? (Você já parou para pensar no impacto da automação no seu trabalho? Pode ser um bom momento.)

2. Valores do trabalho

Ter seus valores alinhados aos da organização auxilia no direcionamento para as estratégias; determina a persistência na execução das atividades; e também influencia a produtividade e o alcance de objetivos. Portanto, os valores do trabalho é um tema fundamental para as organizações atuais.

Em 2014, a A3 realizou uma pesquisa com o objetivo de traçar o perfil de valor do trabalho predominante em gestores de empresas goianas. A hierarquia dos valores do trabalho foi feita através da Escala de Valores Relativos ao Trabalho (EVT), padronizada por Porto e Tamayo, na qual os respondentes atribuíram uma nota aos valores de acordo com a importância que possuem. Confira o resultado!

Hierarquia de valores do trabalho de gestores em empresas goianas (por ordem de escolha)

1º- Realização no trabalho;

2º- Estabilidade;

3º- Relações sociais;

4º- Prestígio.

A realização no trabalho é o valor mais presente entre os gestores pesquisados. Tal resultado permite perceber que, nesta visão, as pessoas buscam, prioritariamente, realizar-se em seus ambientes de trabalho. Tais fatores podem contribuir para que as pessoas compreendam o significado do trabalho, o seu valor e as possibilidades de utilizarem, ao máximo, o potencial de suas habilidades. 

Em breve, teremos uma nova pesquisa com estes mesmos indicadores.

O que te motiva a trabalhar?

Essa foi a pergunta que nós convidamos os nossos seguidores das redes sociais a refletirem e responderem no Dia do Trabalho no ano de 2018. Os dados revelaram que os valores mais selecionados ao trabalho são:

  • Realização pessoal (sustento financeiro);
  • Relacionamento interpessoal (relações positivas);
  • Contribuição para a sociedade como um todo (inspirar pessoas).

(Confira todos os dados)

Claro que um dos objetivos comuns do trabalho é também pagar as contas; mas não podemos deixar de perceber o valor social que ele produz e motiva, o significado particular e especial para cada indivíduo e como base para planejar a carreira. ?

3. Propósito no trabalho

Ter um propósito claro para a vida é essencial principalmente nos dias atuais. Isso provavelmente impactará na sua relação com o trabalho, vez que ajuda a definir as suas estratégias alinhadas com ações a curto, médio e longo prazo.

À medida que você se conecta com suas forças e as transforma em processos evolutivos capazes de transpor mudanças e construir novas alternativas, compartilhando resultados objetivos e tangíveis, a sua relação com o trabalho ganha mais sentido e, consequentemente, se torna mais eficiente.

Para ampliar a reflexão sobre seu propósito no trabalho:

  • Quais são suas prioridades?
  • Como você pode monitorá-las?
  • Qual o desafio para si mesmo?

Para tanto, não procure respostas certas ou erradas - e sim aquelas que conversam com o resultado que pretende atingir. Persista e siga em frente, parando, analisando e realizando da forma que se aproxima, ao máximo, de seu bem-estar, da sua realização pessoal e profissional e, de preferência, que alinhe com sua empregabilidade.

4. Empregabilidade

Empregabilidade tem tudo a ver com trabalho. Ela está relacionada à sua capacidade de estar sempre (ou na maior parte do tempo) em condições de conseguir um emprego. Mas lembre-se: ser um profissional empregável não significa ser assalariado ou estável em uma empresa ou função.

A explicação pode ser simples, mas a execução nem tanto. Isso porque requer esforço e estado de vigília muito maiores do que estamos habituados de costume, envolvendo ainda fatores como competências, resultados e históricos.

Após fazer uma análise de seus últimos trabalhos ou experiências, tendo em vista seus objetivos, voltados para a profissão, remuneração ou qualidade de vida, responda às seguintes perguntas:

1- Tenho experiência suficiente?

2- Consegui desenvolver tanto que “sobro” em como estou?

3- Meus resultados falam por mim?

Essas e outras perguntas podem te ajudar a traçar o panorama da sua empregabilidade. Vale ressaltar que tudo o que possui (ou te falta) precisa ser levado em consideração para estar com a empregabilidade em consonância com os seus objetivos.

5. Você se Contrataria?

Há algum tempo, um programa de TV realizou um processo seletivo para uma empresa, em que seus participantes passavam por vários desafios individuais e em grupo. Eram colocados à prova em vários quesitos: currículo, apresentação pessoal, assim como competências, como trabalho em equipe, comunicação, tomada de decisão e liderança.

Habilidades técnicas e lógicas também eram avaliadas e, ao final, alguns dos participantes ganhavam o prêmio de serem contratados, remunerados e se tornarem propensos a desenvolverem uma carreira como executivos. No desfecho, era quase perceptível quem estaria mais apto.

Isso porque a jornada da carreira era comprimida, situações de pressão eram simuladas e todos os recursos internos e externos dos participantes eram vistos e vivenciados pelo telespectador. Tal programa, em um determinado momento, apresentava a seguinte pergunta: “Você se contrataria? Justifique”.

E você? Como responderia essa questão?

Conseguir um trabalho é fundamental, muitas vezes, uma condição para manter sua empregabilidade. No entanto, se almeja uma continuidade de crescimento profissional, será necessário ir além, planejar, estabelecer objetivos de curto e longo prazo, recuar e acelerar sempre que algo coloque sua empregabilidade em risco.

Curiosamente como ocorria aos participantes do programa, você pode também dizer “Não, eu não me contrataria” por estar diante de um excelente trabalho, ótima remuneração e desafios, mas que não conversa com a sua empregabilidade a longo prazo.

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Como controlar as emoções de estresse

Publicado em 02/02/2021

Encontrar resposta para as emoções que são potencializadas em situações de estresse parece ser uma tarefa, no mínimo, desafiadora. Mas isso é possível com uma dose extra de resiliência.

As emoções em situações de estresse podem ser traduzidas de diferentes maneiras, a começar por aquela sensação de perda de controle e de que vamos explodir. Isso ocorre porque ainda temos impulsos pouco moldados, seja pela falta de autoconhecimento, inexperiência em situações semelhantes, seja pelas próprias frustrações que acabam afetando o discernimento.

Para reestabelecer o equilíbrio, será necessário considerar o que está em nível crônico, pois alguns estados emocionais podem ter evoluído para um patamar não saudável. Nesse caso, a intervenção vai demandar muito mais do que novos comportamentos, pois deverá incorporar, inclusive, circunstâncias e assistência profissional multidisciplinar.

A tristeza, por exemplo, pode estar em um estágio de depressão. Logo, situações de pressão podem potencializar esse estado emocional e atingir outros, como a apatia. Nessa conjuntura, o melhor mesmo será buscar ajuda específica, vez que o quadro já extrapolou o controle. Diante do exposto, algumas reflexões são importantes:

A. Consciência

A consciência em si amplifica o impacto causado por diversas emoções em situações de estresse e permite reconhecer o impulso. Isso pode ser desenvolvido ao longo de uma vida. Trata-se de uma constante autodescoberta sobre como proceder em diversos ambientes e contextos independentemente das pessoas envolvidas. Se somos responsáveis por nossa carreira, por que com as emoções seria diferente?

Essa compreensão pode ultrapassar o estado subjetivo, atingindo até mesmo o biológico, vez que a consciência pode surgir de estados emocionais acusados pelo corpo. Em uma situação de risco, quando um cão feroz se aproxima, por exemplo, podemos paralisar ou correr.

A partir daí, a consciência vai gerar uma experiência ou um aprendizado orgânico. Isso significa que, em ocasiões semelhantes, provavelmente seguiremos o mesmo padrão de reação. Deste modo, será fundamental superar essas situações e construir novos aprendizados.

B. Resolução de problemas

Geralmente, situações de estresse exigem solução de problemas e tomada de decisões. Por outro lado, esses momentos podem trazer uma desordem ou confusão emocional por estarmos habituados a agir e sentir de determinada forma.

Ter a clareza de que esses eventos vão surgir (e exigir resposta) pode ser o caminho para lidar com eles de forma mais leve, reduzindo a duração da confusão e, com isso, dinamizando o retorno ao equilíbrio emocional.

A flexibilidade precisa estar em um patamar cognitivo e emocional que permita perceber que, para toda solução, existiu um problema. O equilíbrio está em saber usar essas pontes mentais e emocionais como oportunidades, afastando pensamentos e comportamentos negativos e limitadores. Gerenciar as suas emoções é estratégia para a sua saúde mental e carreira.

C. Disciplina

Frequentemente, a palavra disciplina é associada a algo maçante, rígido e difícil de ser alcançado, quando, na verdade, pode representar justamente o contrário. Isso ocorre porque, normalmente, seu significado está atrelado a uma ordem ou resistência.

Por estar vinculada a uma continuidade ou sequência a ser parametrizada e seguida, a disciplina acaba sendo confundida com ordem. Mas, em situações de estresse, com a devida dose de flexibilidade, as nossas reações podem se tornar fonte de nova ordem e coerência.

Outro fator marcante é a resiliência. É ela que, em situações emocionalmente estressantes, coloca o ritmo e serve de guia para o caminho a ser trilhado.  A definição de continuidade é que trará novos discernimentos. Resiliência é a capacidade de aguentar tudo?

Soma dos fatores

Quando se trata de emoções, a soma dos fatores pode mudar. Recentemente, atendi uma profissional da área da saúde que, diante da pandemia, relatou a sua completa imersão em todo tipo de pressão possível e imaginável.

O quadro foi se transformando, quase instantaneamente, em um turbilhão de emoções boas e ruins. Os sintomas foram revelados através de crises recorrentes de choro, diante de conflitos cotidianos (profissionais e pessoais), acarretando mágoa e irritabilidade.

Nitidamente algo estava errado. Sua convivência no trabalho e com os outros foi se tornando insuportável. O problema se tornou tão evidente que seu filho, de apenas 8 anos de idade, chegou ao ponto de dizer: “Mamãe, não quero ficar perto da senhora. Você está com um olhar estranho e estou com medo”.

Para não chegar nesse estágio, é interessante buscar um processo de autoconhecimento constante com propostas terapêuticas. Mas, quando isso não for possível, eleja uma pessoa de sua confiança, no ambiente pessoal ou de trabalho, para lhe fornecer orientação e feedback sobre seu comportamento.

Lembre-se: uma pessoa de sua confiança não é aquela que concorda com tudo que você faz. Ela precisa ser imparcial ao ponto de dar contribuições ao seu crescimento. No ambiente de trabalho, um líder pode ser uma boa opção.

Cabe também visualizar seus diversos papéis nos grupos que participa a fim de analisar: como você age em cada um deles; se o seu comportamento se repete e o que isso traz de positivo e negativo.

Quando estiver mergulhado em situações sem precedentes e perceber que as emoções estão saindo do controle, estabeleça algumas pausas de, no mínimo, 90 segundos cada. Esse é o tempo médio para que o cérebro consiga gerar consciência ou melhor percepção de si, voltando a atenção e a intenção ao que você realmente precisa fazer.

 Escolher emoções

A falta de controle começa quando caímos no erro de querer escolher as emoções como em um cardápio de comidas e bebidas. Emoções precisam ser sentidas, vividas e experimentadas. Todas elas, sem exceção, são fundamentais para o nosso amadurecimento emocional. Descubra como desenvolver a sua inteligência emocional com esses seis passos dessa minitrilha!

Não dá para simplesmente viver em um universo paralelo, escolhendo situações estressoras ou não. Não temos o controle sobre passar ou não por problemas. Então como fazer? 

O primeiro passo é entender que os momentos adversos passarão, mas os estados emocionais ficarão eternamente gravados como marcas boas ou difíceis do seu percurso. Desapontar a si mesmo ou aos outros pode acontecer.  Nessas horas, não tem problema voltar atrás, pedir desculpas, aprender com os erros e dar uma nova chance.

Existe uma técnica japonesa que consiste em consertar peças de valor sentimental com uma mistura feita de massa branca e pó em ouro, evidenciando as marcas dos pedaços colados e tornando o objeto único e especial. Do mesmo modo, nossas emoções podem trazer essas marcas e temos o poder de escolher como queremos transformá-las.

O ambiente organizacional é mais objetivo, direto e, às vezes, impiedoso com os erros. Suas marcas podem se tornar julgamentos e mudar completamente sua carreira. Então, em momentos de estresse, vale a pena escolher ações mais preventivas e que fortaleçam seus comportamentos e emoções. O autoconhecimento é o caminho para isso.

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Tempo, tempo, tempo...

Publicado em 08/01/2021

Sabe aquela imagem que eventualmente temos sobre o tempo escorrendo pelas mãos ao passo que as tarefas não saíram do lugar? Ou mesmo o contrário: quem nunca sentiu que seu dia foi mais produtivo do que o normal, mas que ainda resta animação para um pouco mais? O tempo tem a capacidade de colocar nossa produtividade em patamares e circunstâncias diferentes, por isso, gerir o seu uso de forma equilibrada pode ser algo extremamente vantajoso.  

 

Tempo: o novo significado

De uma hora para outra, o tempo teve um novo significado. A correria do dia a dia, juntamente com a sensação de que o mundo não pode parar, nos mostra que o tempo é relativo. A pandemia da Covid-19 nos trouxe uma pausa e nos fez repensar o nosso modo de trabalho: jornadas longas, acúmulo de atividades e um volume absurdo de informações para processar em um curto espaço de tempo que se modifica na mesma velocidade.

Isso resultou em profissionais que, no seu limite de forças e capacidade, precisam absorver um novo significado de tempo. As prioridades mudaram quase instantaneamente. As urgências dos planos pessoais foram praticamente engolidas. A nova realidade foi imposta e a dinâmica do tempo vem sendo alterada, para que, cada um, possa construir, desconstruir e reconstruir hábitos e comportamentos.

Implacável, o tempo imprimiu um ritmo próprio em cada um para que pudesse ser ressignificado. As escolhas, aliadas a uma abordagem mais complexa do ser humano, foram recriando novos espaços. E, assim, a simplicidade e a objetividade deram lugar a uma nova fase comandada pela tecnologia.

Atualmente, é comum ouvir depoimentos do tipo: “Não consigo ficar o mesmo período do presencial no virtual”. O que o home office deixa como lição? O tempo como benefício e desafio! Há uma percepção que o tempo, dentro dessa nova metodologia, tenha sido compactado ou dilatado. Na verdade, ele continua o mesmo, o que mudou foi a nossa perspectiva e aproveitamento.

Tempo e produtividade

Nessa jornada com o tempo, o convite para uma boa produtividade pode estar em alguns hábitos que, se mantidos, contribuem para lidar melhor com determinadas circunstâncias:

A.      O equilíbrio

  1. Releia os objetivos, planos, metas e reestruture o pensamento, estabelecendo o novo patamar que espera atingir. O controle sobre isso tornará mais leve a forma como define o tempo e as prioridades, além de estabelecer um limite mais próximo da realidade atual para você e o que está à sua volta;
  2. Estabeleça novos parâmetros para alcançar o patamar desejado, colocando o tempo como seu aliado e não como o que controla os seus propósitos e objetivos.
  3. Em situações de estresse, a nossa tendência é estabelecer pouco tempo para o planejamento. Isso pode resultar em perda de tempo porque o foco estará em “fazer por fazer” sem perceber o todo;
  4. Produtividade está intimamente relacionada com a organização de tudo: pensamentos, emoções e atitudes. Mas como gerenciar as emoções? Posso assegurar, por experiência própria, que as emoções têm o espaço e a duração que permitimos. 
  5. O “hoje” é o tempo mais valioso que existe, afinal, é o que temos de concreto. Ter isso em mente nos ajuda a estabelecer o foco e colocar à prova tudo o que foi descrito antes.

B.      O desequilíbrio

  1. Querer controlar o que não tem controle. O ideal é adaptar-se, flexibilizando a mente e as atitudes;
  2. Fundar padrões e objetivos com base em referências externas sem conexões com os próprios limites;
  3. Acreditar que tem mais tempo do que 24 horas e em “jeitinhos”. Isso pode ser interpretado mais como uma desorganização e autossabotagem do que flexibilidade;
  4. Não dimensionar expectativa e realidade. Dividir suas ideias com alguém que te conheça (ou conheça o que está propondo para si) pode trazer uma dimensão mais apropriada.

O primordial agora é que tudo isso seja transformado em um hábito para que, ao longo desse processo, você consiga identificar as dificuldades que afetam a sua produtividade. Busque manter uma certa imparcialidade sobre o que está sendo feito e o que precisa ser melhorado, ou seja, sem julgamentos.

Estabeleça um treino mínimo de 30 dias ininterruptos para que os novos padrões e ações sejam assimilados. A surpresa será inevitável e a sensação de plenitude, ainda que fugaz, te invadirá profundamente. O tempo será seu aliado e a produtividade uma consequência.

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Qualidade de vida no trabalho

Publicado em 21/10/2020

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, qualidade de vida é “a percepção do indivíduo de sua inserção na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Trata-se de um completo bem-estar físico, social e emocional e não apenas da ausência de doenças. Por isso, não podemos ignorar as implicações que o ambiente de trabalho projeta na vida das pessoas. 

 

Além de ser a fonte primordial de sustento nas sociedades modernas, o trabalho é também o elemento mais importante da produção social. Todo trabalho exige uma certa quantidade de energia física e psíquica que, nesse processo, é chamada de força do trabalho.

 A busca pela qualidade de vida no trabalho tornou-se cada vez mais necessária, uma vez que é direito do colaborador exercer suas funções em locais que proporcionem satisfação e tragam motivação para cumprimento de suas atribuições. 

Um local de trabalho saudável é aquele em que trabalhadores e líderes colaboram para o processo de melhoria contínua a fim de proteger e promover a saúde, segurança e bem-estar de todos os colaboradores e a sustentabilidade do local de trabalho, considerando o seguinte: 

  • questões de saúde e segurança no ambiente físico de trabalho;
  • questões de saúde, segurança e bem-estar no ambiente psicossocial de trabalho, incluindo a organização do trabalho e a cultura do local de trabalho;
  • recursos de saúde pessoal no local de trabalho; e·
  • formas de participação na comunidade para melhorar a saúde dos trabalhadores, suas famílias e demais membros da comunidade.

Para muitos de nós, o trabalho é uma parte importante de nossas vidas. É onde gastamos muito do nosso tempo, obtemos nossa renda e, frequentemente, fazemos nossos amigos e mantemos a maior parte de nosso círculo social. Ter um emprego gratificante pode ser bom para sua saúde mental e bem-estar geral.

A saúde mental existe da mesma forma que a saúde física e também passa por oscilações a depender de determinados fatores como cuidados preventivos, investimento em esforços específicos, a presença ou ausência de agentes adoecedores, etc. Considerando quanto tempo passamos no trabalho, não é surpreendente que os ambientes de trabalho e a cultura afetem nosso bem-estar. Dados como os da Previdência Social são alarmantes: a cada ano mais de 200 mil trabalhadores se afastam de suas atividades devido a transtornos mentais.

Uma profusão de dados demonstra que, a longo prazo, as empresas que promovem e protegem a saúde dos trabalhadores estarão entre as mais bem-sucedidas e competitivas e também desfrutarão de melhores taxas de retenção de funcionários. Assim, é importante que os empregadores considerem a saúde do trabalhador como importante ativo para a empresa.

A adesão a tais princípios evita licenças médicas indevidas e invalidez, minimiza os custos médicos, bem como os custos associados à alta rotatividade, como treinamento e processos contínuos de recrutamento e seleção, e aumenta a produtividade e a qualidade dos produtos e serviços a longo prazo.

É fato, portanto, que as organizações têm melhor desempenho quando os funcionários estão saudáveis, motivados e concentrados. Pesquisas mostram de forma consistente que quando os funcionários se sentem valorizados, apoiados e que seu trabalho é significativo, tendem a ter níveis mais elevados de bem-estar, maior comprometimento com os objetivos da organização e melhor desempenho. Estudos mostram que as organizações com níveis mais altos de engajamento dos funcionários se beneficiam de melhor produtividade, lucratividade e comprometimento da equipe.

Empregadores inteligentes sabem que as organizações são tão fortes quanto seus colaboradores, pois dependem de uma força de trabalho saudável e produtiva. Eles também sabem que as pessoas têm um desempenho melhor quando se sentem capazes de se dedicar ao trabalho, num nível inclusive emocional, e quando estão confiantes, motivadas e totalmente focadas em fazer isso. Boa saúde mental é a base disso. Gerenciando e apoiando positivamente o bem-estar mental dos funcionários, os empregadores podem garantir que a equipe atinja seu potencial - e isso permite que a empresa atinja o desempenho máximo.

A saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores são preocupações vitais para centenas de milhões de trabalhadores em todo o mundo. No entanto, o problema se estende além dos indivíduos e suas famílias. É de suma importância para a produtividade, competitividade e sustentabilidade das empresas, comunidades e economias nacionais e regionais que queiram garantir a rentabilidade e bons indicadores de forma geral.

 FONTES:

MENTAL HEALTH FOUNDATION. How to support mental health at work. 2020.

MENTAL HEALTH FOUNDATION. Introduction to mentally healthy workplaces. 2019.

SILVA, S. R.; NASCIMENTO, R. M. L. L. Qualidade de Vida no Trabalho. Repositório Institucional UniEVANGÉLICA, Anápolis - GO, 26 dez. 2019.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Healthy workplaces: a model for action. 2010.

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A crise nos causa medo, insegurança e ansiedade, e é isso que todos nós vivenciamos seja colaborador, seja dono de empresa, enfim, qualquer pessoa agora.

 

Poderíamos trazer milhões de exemplos de profissionais (colaboradores e empresários) impactados na sua saúde mental por conta da pandemia assim como estes fictícios que representam a realidade de muitos agora:

  • Larissa sente que o seu processo criativo está mais lento;
  • Augusto está com dificuldades para entender a queda de produtividade da sua equipe em home office;
  • Sônia está desesperada porque precisa apresentar um projeto da empresa, mas o seu bairro ficará sem energia justamente neste dia de home office;
  • Rodrigo sente falta dos amigos e do lazer nos horários de folga; 
  • O grau de irritabilidade de Rafael, trabalhando em home office e com os dois filhos pequenos no seu pequeno apartamento, está dificultando a sua concentração nas atividades...

Você se identifica com alguns destes cases

Está tudo diferente de como era há alguns meses atrás, não é mesmo? Neste novo momento, qual emoção você mais sentiu? Sentiu medo? É isso o que muitos estão sentindo...

O lazer, as relações, os comportamentos, as formas de consumo, contato, prevenção, preocupações...Tudo está diferente de como era há alguns meses atrás.  O Coronavírus nos gera medo, insegurança e ansiedade, e é isso que todos nós vivenciamos seja colaborador, seja dono de empresa, enfim, qualquer pessoa agora.

Diante de uma crise mundial, sentir emoções negativas é no mínimo aceitável.

O medo dos brasileiros diante da pandemia

O Centro de Valorização da Vida (CVV) presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar sob total sigilo e anonimato.

Segundo o Relatório Mensal de Atividades Nacionais do CVV, em abril de 2020, foram recebidas 308.909 ligações e a quantidade de ligações ficam muito próximas de 300 mil por mês se analisarmos os primeiros quatro meses deste ano de 2020.

Em entrevista a TV Record de Rio Preto, o voluntário do órgão, Francisco Leal, relata que, de dez ligações, nove são a respeito dos sentimentos relacionados ao Coronavírus. A distância dos amigos e parentes, medo de perder o emprego, de contrair a doença e a insegurança em relação ao futuro podem ser alguns temores dos brasileiros neste momento.

Se analisarmos essas angústias percebemos que são sentimentos gerais de qualquer pessoa. O desafio é de todos.

Não se pode deixar de considerar que tanto o profissional quanto empresário têm sofrido impactos na sua saúde mental por conta do atual momento, mas é notório também que cada um esteja vivenciando suas preocupações em perspectivas diferentes.

Diante de tudo isso, o CVV nos revela um ponto positivo: o brasileiro tem buscado algum tipo de suporte neste momento.

O medo da população mundial diante da pandemia

O documento “Resumo de Política: COVID-19 e a Necessidade de ação em Saúde Mental” publicado no mês de maio deste ano pelas Nações Unidas, revela que muitas pessoas estão com medo devido a vários fatores, como:

  • impactos imediatos do vírus na saúde;
  • consequências do isolamento físico;
  • risco de infecção, morte e de perder membros da família;
  • distanciamento físico dos entes queridos e pares;
  • problemas econômicos correndo o risco de perder (ou já terem perdido) sua renda e meios de subsistência.

Informações erradas e rumores frequentes sobre o vírus e profunda incerteza sobre o futuro também contribuem para a disseminação dos sintomas de preocupação e ansiedade.

O documento revela que um aumento de longo prazo no número e gravidade de problemas de saúde mental é provável com níveis mais altos do que o habitual de sintomas de depressão e ansiedade em vários países.

A ansiedade pode ser justificada pela falta de entendimento do cenário ou pela incerteza e instabilidade em relação ao futuro. No Brasil, além do impacto econômico já esperado, a instabilidade política e a condição da saúde pública (já sucateada com todos os problemas antigos) são dois agravantes para esse mal estar psicológico.

Para todos, profissionais e empresários, o medo e a insegurança parecem ser um dos sentimentos mais presentes no atual momento. O medo das demissões e o impacto da pandemia na sobrevivência do negócio são exemplos das principais angústias de cada um respectivamente. O risco de contrair a doença atinge ambos.

Os empresários também lidam com a responsabilização pelo retorno seguro das suas atividades e de como os funcionários estarão aptos a isso. A nossa entrevista com empresários goianos do agronegócio e do setor industrial revelam a perspectiva deles em relação ao momento.

Os problemas de saúde mental dos profissionais no Brasil

Antonietta Medeiros, médica e diretora de gestão de saúde e qualidade de vida da Mercer Marsh Benefícios, em uma reportagem ao jornal Valor Econômico, destaca que os problemas de saúde mental estão entre o terceiro motivo de afastamento de trabalhadores no Brasil. Eles já vinham ocupando destaque no impacto da saúde dos trabalhadores brasileiros e agora são ainda reforçados pelos desafios exclusivos da pandemia.

É um assunto que deve sim estar na pauta dos empresários. Políticas de inclusão e apoio aos funcionários podem ser caminhos efetivos para relações de trabalho melhores considerando este novo contexto.

É importante também ressaltar o papel das mídias no emocional de todos. Não se pode desconsiderar o seu papel de divulgação de dados, mas é preciso reconhecer que a quantidade de informações negativas tem um impacto e pode agravar a saúde mental dos espectadores.

É necessário cautela, discernimento e criticidade em relação ao tipo de informação buscada porque isso pode ter bastante influência no que você está sentindo hoje e na sua motivação daqui para frente.

Isso é muito importante também se pensarmos na organização como um todo. Que tipo de informações são veiculadas na empresa e como são comunicadas, além de um olhar mais atento à saúde emocional dos líderes são questões a serem pensadas daqui para frente porque terão ainda mais impacto no emocional dos colaboradores.

Sentir emoções negativas agora é no mínimo aceitável. Como então perceber a gravidade?

O momento é difícil e, por isso, sentimentos ruins vão aparecer ou aflorar. O que precisa ser percebido é se essas emoções estão frequentes impactando de maneira muito profunda na sua rotina, trabalho e relacionamentos.

A psiquiatra Emanuelle Garmes, que atua no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, à reportagem publicada no jornal Valor Econômico, revela que o ponto de alerta é quando a pessoa perde o controle da situação e precisa de cuidados específicos. É necessário sabermos diferenciar o que são sentimentos típicos do momento, como tristeza e nervosismo, de transtornos de depressão e ansiedade.

Pode-se perceber que é um momento de caos para todos, mas também uma oportunidade para olhar para si com mais resiliência e cuidado não se deixando levar por todo o desespero coletivo que as mídias e a própria situação tendem a nos levar.

Mesmo tentando sinalizar e entender os aspectos que impactam a saúde mental de colaborador e empresário, o contexto nos revela que os medos são praticamente os mesmos. Somos humanos e as emoções que sentimos fazem nos assemelhar cada vez mais, solidarizar-nos e entender que todos, enfim, vivenciam desafios.

O momento precisa ser vivido e sentido. O autoconhecimento voltado para a conscientização das emoções e do impacto delas na vida e relações pode ser uma oportunidade para colaboradores e empresários cuidarem da sua saúde mental e lidarem com o medo que esta pandemia evidencia.

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Descubra a relação das suas emoções com o seu desempenho.

 

O ser humano conta com uma gama imensa de sentimentos, partindo dos mais básicos como a felicidade, a tristeza e a raiva, até outros mais complexos. Considerando a variedade de pessoas e situações do nosso dia a dia, não é de se surpreender que durante a nossa jornada de trabalho vários desses sentimentos se façam presentes e contribuam para sermos assertivos ou não.

Saber lidar com diferentes pessoas, ouvindo e se colocando no lugar do outro, trabalhar em equipe na resolução de problemas e ter um bom relacionamento interpessoal são características essenciais para o crescimento profissional. Para isso, três competências são essenciais: inteligência emocional, inteligência social e inteligência cognitiva.

Se somos criaturas emotivas, como fazer para expor nossas emoções da melhor maneira? É possível controlar esses sentimentos e impulsos?

Sabe aqueles momentos que você tem um problema com um cliente delicado? Ou então quando um projeto que você está desenvolvendo é barrado? Ou talvez aqueles dias que seu chefe acordou com o pé esquerdo?

Quando falamos do ângulo biológico, não podemos evitar que nossa primeira reação a qualquer um desses eventos seja emocional. Afinal, vivenciamos as experiências através das emoções antes da razão entrar em ação.

No entanto, o que nós podemos fazer é ter controle na maneira como reagimos a essas emoções e é exatamente esse um dos aspectos que a inteligência emocional se propõe a desenvolver.

A inteligência emocional

A inteligência emocional surgiu nos anos 90 e atualmente pode ser entendida como a capacidade de harmonizar pensamento e emoção.

Em outras palavras, é a habilidade de compreender e ter controle sobre as próprias emoções e também reconhecer e administrar as das outras pessoas, o que Goleman (2001) divide em competências pessoais e sociais. O primeiro grupo se relaciona com a nossa capacidade de gerenciar nossas emoções e nosso comportamento e o segundo com a maneira pela qual lidamos com nossos relacionamentos no reconhecimento das emoções e motivações dos outros. Esta trilha pode te ajudar a refletir de forma lúdica sobre as quatro competências da inteligência emocional.

Conhecer nossas emoções e reações em diversas situações nos possibilita entender o que fazemos bem, o que nos motiva e o que pode nos trazer reações intensas.

Esse autoconhecimento nos permite aplicar nossos pontos fortes nas atividades apropriadas, além de impedir que as emoções nos atrapalhem. Por meio dessa autogestão, conseguimos direcionar nosso comportamento de maneira positiva assim como avaliar as situações sem cedermos às tentações.

A partir do desenvolvimento da observação, a consciência social nos permite reconhecer as emoções dos outros e entender a maneira como as pessoas reagem às diferentes situações do dia a dia, blindando-nos no trato com aquele cliente mais exigente ou com o chefe complicado, por exemplo. Isso nos auxilia na gestão dos nossos relacionamentos, levando a uma comunicação clara e eficaz e na evolução de vínculos para relações de mais qualidade.

Compreendendo melhor o que é a inteligência emocional, naturalmente entendemos a sua grande importância para qualquer profissional independentemente da sua posição.

A inteligência social

Goleman (2006) destaca que não há como separar as emoções dos nossos relacionamentos. Para ele, as emoções são sociais porque são as nossas interações sociais que as impulsionam. 

A inteligência social pode então ser definida como as habilidades que o indivíduo desenvolve quando se envolve em um relacionamento.

O autor define duas categorias para a inteligência social: a consciência social que se destaca como o que sentimos em relação ao outro e a facilidade social como o que fazemos de posse dessa consciência. Ou seja, não basta apenas reconhecer o outro tentando entender o que ele sente ou pensa, mas é necessário utilizar dessas informações para agir efetivamente no seu relacionamento com ele. 

Equipes divididas por projetos, diversidade, trabalho cooperativo são temas bastante discutidos e realidade de muitas empresas. Pode-se perceber que estão totalmente associados às relações/interações dos profissionais, por isso, não tem como pensar nessas pautas e não considerar a relevância da habilidade de relacionamento interpessoal.

Percebe-se então a importância da gestão dos seus relacionamentos para lidar com as suas próprias emoções, para a construção de interações positivas e o quanto pode influenciar no seu desempenho, dos seus colegas e da própria empresa.

O caso de Aline…

Ninguém sabia o que Aline estava passando. Nem ela sabia, apenas reagia. Mas o que todos sabiam é que ela havia mudado. Aline se destacava em seu trabalho pela motivação, simpatia, dedicação e bons resultados que agregava à sua área.

O reconhecimento profissional e o alcance de metas não eram sorte, e sim resultado de muita dedicação e bom desempenho. Entretanto, nos últimos meses foi possível notar uma mudança abrupta no cenário – queda significativa nas vendas e comissionamento, redução de colaboradores e acúmulo de dívidas. Para piorar, Aline recebeu a notícia que o irmão teria que ser internado, pois seu estado de saúde era grave.

Aline começou a sentir insegurança, medo e ansiedade, entretanto optou por não compartilhar sua experiência pessoal no ambiente de trabalho, pois logo “tudo isso iria passar”. Entretanto, passou a se mostrar irritada e impaciente com a equipe e supervisora, esquecia-se de executar algumas entregas, suas ausências aumentaram e, na tentativa de finalizar logo suas obrigações para visitar o irmão hospitalizado, acabava cometendo erros.

Durante o intervalo do trabalho, percebeu que duas colegas estavam conversando sobre o seu comportamento. Quando ouviu ficou sem entender, se sentiu furiosa, mas depois começou a refletir sobre o que estava passando...Veja se você se identifica com alguns destes outros cases.

As três inteligências: Emocional, Social e Cognitiva

O caso de Aline, embora fictício, se assemelha a casos reais e atuais. Demonstra como as competências: Inteligência Emocional, Inteligência Social e Inteligência Cognitiva se integram e influenciam o desempenho pessoal e profissional. Quais são as competências essenciais para lidar com momentos de incerteza e volatilidade? 

A Inteligência Emocional e a Inteligência Social se relacionam com a capacidade do indivíduo em perceber, compreender e administrar suas emoções e sentimentos sobre si mesmo (IE) e sobre os outros (IS).

Os colegas de Aline demonstraram certo nível de inteligência social já que perceberam uma mudança em relação ao seu comportamento, porém não transformaram essa percepção em ação estratégica para ajudá-la.

Um olhar mais empático para primeiro entender o cenário pelo qual Aline estava passando; buscar estratégias de ação para ajudá-la a lidar com a situação; ou simplesmente uma escuta ativa que pudesse apoiá-la naquele momento seriam possíveis ações relacionadas à inteligência social.

O caso de Aline faz-nos perceber que as nossas emoções estão totalmente relacionadas com o nosso desempenho cognitivo. Insegurança, medo e ansiedade mal administrados ou desconsiderados podem afetar o desempenho profissional e social, além da própria saúde do indivíduo.

A Inteligência Cognitiva reflete a capacidade do indivíduo em “pensar e analisar a informação e a situação que leva a um desempenho efetivo ou superior, caracterizado pela rapidez com que se chega a uma solução e a criatividade para resolver o problema”.

É comum que cenários de crise e incerteza, assim como os vivenciados por Aline, influenciem o equilíbrio entre estas competências, o que pode gerar prejuízos para a saúde mental do indivíduo.

O que a sua empresa ou você enquanto líder está fazendo para contribuir emocional e psicologicamente com a sua equipe?

As três competências e a sua relação com o desempenho

Um profissional que se conhece consegue entender com clareza seu papel dentro da organização, além de compreender suas fortalezas e os seus pontos de melhoria. Com isso, recebe com maior tranquilidade os feedbacks e reage melhor às situações difíceis, mantendo-se centrado, não sendo levado por impulsos e entregando melhores resultados.

Desenvolvendo essas três competências, o profissional torna-se mais apto à tomada de decisão, justamente por não ser facilmente guiado pela intuição. Isso reflete a importância de repensar o que ele já sabe reconhecendo os preconceitos e vieses inconscientes no cotidiano. 

Também tem maior facilidade de se destacar e engajar as pessoas ao seu redor para seus projetos ao desenvolver os seus relacionamentos.

Estar sujeito às emoções no ambiente de trabalho é natural a todos. Como cada um nota e reage a isso, essa sim é a grande questão. Desenvolver essas três competências traz grandes resultados pessoais e é também um grande diferencial para o profissional que busca se destacar e alcançar seus objetivos.

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Nasreddin Hodja foi um famoso trapaceiro que viveu na Turquia no século VII. Certa vez, Nasreddin atravessou uma fronteira de volta a seu país caminhando enquanto puxava um burro por uma corda. Nas costas do burro havia uma enorme pilha de palha. O guarda da patrulha da fronteira, ciente da reputação de truques de Nasreddin, tinha certeza de que ele devia estar contrabandeando alguma coisa e, determinado a pegar a trapaça, o parou para interrogação.

 

"O que você está contrabandeando?" o guarda perguntou a Nasreddin. "Nada", disse Nasreddin. "Eu vou revistar você", disse o guarda já fazendo exatamente isso. Revistou Nasreddin desembalando o enorme pacote de palha no burro, porém não encontrou nada. Frustrado, ele deixou Nasreddin passar.

Alguns dias depois, Nasreddin estava de volta com um burro cheio de paus e palha. Novamente ele foi revistado e novamente nada foi encontrado. Durante meses, isso continuou a cada duas semanas. O mesmo Nasreddin, com um burro e uma pilha de material inútil, mas nada valioso foi encontrado.

Finalmente um dia o guarda completamente frustrado falou com Nasreddin. "Hoje é meu último dia de trabalho". Sei que você tem contrabandeado algo, mas não consegui descobrir o que é. Isso tem me mantido acordado à noite. Estou saindo do meu emprego, para não ter mais problemas com você, mas, por favor, me diga o que você está roubando”. "Tudo bem então", disse Nasreddin, "eu venho contrabandeando burros".

Em nossa busca diária para resolver problemas, estamos procurando nos lugares certos ou procuramos problemas em feixes de palha? A anedota ilustra a noção de que seres humanos são consistentemente, rotineiramente e profundamente tendenciosos. Nós não apenas estamos sempre cheios de vieses, como também quase nunca estamos conscientes sobre o fato de estarmos enviesados. O fato de não sabermos pode resultar em comportamentos prejudiciais para o coletivo e para nós mesmos, visto que tais vieses influenciam nossas emoções e, consequentemente, nossa postura diante de determinadas situações.

Quando nos deparamos com determinados problemas, temos uma tendência a nos voltar rapidamente para as soluções que fazem mais sentido e geralmente perdemos outras possibilidades que estão bem à nossa frente. Isso acontece porque, como muitas pesquisas e autores vêm demonstrando ao longo dos anos, muitas vezes os indivíduos que resolvem um problema recombinam experiências e aprendizagens passadas de maneiras novas.

Uma pessoa aprende diferentes coisas ao longo de sua vida, e essas aprendizagens isoladas são frequentemente recombinadas durante a resolução de um problema. Na ausência total de aprendizagens prévias, é possível que a situação problema nem se configure como de fato um problema para o indivíduo. Por exemplo, diante de símbolos matemáticos impressos numa folha de papel, uma pessoa que nunca ouviu falar de matemática (uma criança pré-escolar, por exemplo) nunca trataria aquilo como um problema a ser resolvido.

Assim, é fato que nosso repertório comportamental (aquilo que podemos, sabemos e somos capazes de fazer, dadas as circunstâncias adequadas) já é cheio de aprendizagens prévias que possibilitam a construção de outros repertórios mais complexos. Ninguém aprende a dirigir, por exemplo, sem antes ter aprendido noções básicas de movimento e velocidade ou mesmo sem saber o que é um carro.

Aprender e buscar novos conhecimentos continuamente é, portanto, uma necessidade que se justifica quando nos damos conta da importância de tais aprendizagens para a forma como nos apresentamos ao mundo, como respondemos às demandas da vida. Algumas aprendizagens, no entanto, podem atrapalhar a resolução de um problema, criando o que chamamos de rigidez funcional diante de algumas situações.

A rigidez funcional é produzida por determinados direcionamentos que elementos da situação problema provocam nas pessoas envolvidas. Por exemplo, você certamente sabe para que serve um lápis de cor. Se eu lhe pedisse para listar os usos do lápis, você o faria através daquilo que aprendeu: “um lápis de cor serve para colorir, escrever, desenhar e pintar”. Certo, o que mais? Diante dessa pergunta você pode até pensar em alguns usos alternativos, mas, devido àquilo que lhe foi ensinado, você irá experienciar algumas dificuldades, pois já há um direcionamento de sentidos. Ou seja, possuímos o rígido entendimento acerca das funções de um lápis de cor. Jennifer Maestre, por outro lado, é uma artista que usa esta ferramenta comum de arte de uma maneira inusitada. Suas esculturas feitas com lápis coloridos possuem aparências peculiares.

Além do campo prático de aplicação de conhecimentos e expansão de possibilidades, a rigidez funcional pode contribuir para a cristalização de vieses emocionais, prejudicando a maneira como lidamos com nossas emoções e influenciando o modo como reagimos ao mundo. Isso significa que, por vezes, reações emocionais negativas (como agressividade frente a sentimentos de raiva e frustração, por exemplo) podem ser vistas como a única resposta possível diante de certos problemas, desconsiderando seus prejuízos e alternativas.

Apesar dos entraves da rigidez funcional, é possível, a partir da prática, se tornar um exímio recombinador de aprendizagens isoladas. Exímios recombinadores são capazes de transpor a rigidez funcional e tendem a ser inventivos mesmo em situações padronizadas. Para isso, é preciso tentar e praticar. Quanto maior a diversidade e o volume de tentativas, maiores as chances de uma solução diferente, produtiva e inovadora.

Dito isto, é essencial cultivar a noção de que não somos imunes a vieses e preconceitos, por mais que queiramos acreditar que somos. Reconhecê-los é importante porque tais preconceitos causam impacto em todos os aspectos de nossas vidas, não só na maneira como aprendemos e resolvemos problemas. Eles afetam a maneira como reagimos a ameaças, como lidamos com emoções próprias e alheias, causam impacto na maneira como médicos e pacientes interagem, afetam os julgamentos que fazemos sobre os outros.

Na vida organizacional, influenciam a maneira como entrevistamos pessoas, quem contratamos, a quem atribuímos tarefas, quem promovemos e em quem estamos dispostos a nos arriscar. De fato, preconceitos deixam sua marca em praticamente todos os aspectos da vida organizacional. Eles também afetam a maneira como os professores educam os alunos e o modo como os pais tratam seus filhos. Praticamente todas as decisões importantes que tomamos na vida são influenciadas por esses preconceitos, e quanto mais eles permanecem inconscientes, menor a probabilidade de tomarmos as melhores decisões possíveis.

Não é à toa que estabelecemos leis que limitam o comportamento tendencioso das pessoas e as responsabilizam por comportamentos discriminatórios. Instituímos diretrizes de diversidade e inclusão e programas de treinamento para milhões de pessoas em escolas, grandes corporações, pequenas empresas, agências governamentais, instituições sem fins lucrativos e militares para nos ensinar a ser mais "tolerantes". Escrevemos milhares de livros, produzimos inúmeros filmes, desenvolvemos movimentos sociais, marchas de protesto organizadas, tudo isso para tentar entender o problema e tentar consertá-lo.

Mais do que nunca, as pessoas percebem que criar uma sociedade inclusiva e culturalmente competente faz sentido. As empresas reconhecem o impacto de obter os melhores funcionários com uma força de trabalho cada vez mais diversificada em ambientes mais engajados (que permitem que as pessoas tenham um desempenho de mais alto nível) para atender a uma base de clientes cada vez mais diversa e global. Os profissionais de saúde reconhecem que a remoção do viés e a compreensão dos padrões culturais dos pacientes não apenas cria maior equidade, mas também gera melhores resultados para a saúde física e emocional do paciente. As instituições educacionais sabem que um corpo discente diversificado cria uma melhor experiência escolar para seus alunos e a qualidade do ensino melhora quando os professores demonstram mais inclusão e menos preconceito. Até os políticos estão percebendo as limitações de uma agenda que se baseia no ódio contra um grupo ou outro.

Viver em sociedade exige uma constante força adaptativa e reinventiva que não pode ser alimentada se nos deixamos conduzir por vieses, preconceitos e sentidos rigidamente estabelecidos sem pensarmos sobre eles. Transformar nossos modos fundamentais de viver e estar no mundo requer a aprendizagem constante de novas informações e comportamentos. Também exige uma mudança de mentalidade e emoções. Só assim podemos tomar consciência de nossas escolhas e do mundo que nos cerca. Como disse Mary Oliver, uma premiada poeta estadunidense, “se você notar alguma coisa, isso o levará a perceber cada vez mais coisas”.

 

Referências

DUNKER, K. On problem solving. Psych Monographs, n° 58, p. 270, 1945.

NEVES FILHO, H. B. Criatividade: suas origens e produtos sob uma perspectiva comportamental. Fortaleza, CE: Imagine Publicações, 2018.

ROSS, H. J. Everyday bias: Identifying and navigating unconscious judgments in our daily lives. Rowman & Littlefield, 2020.

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O feedback no ambiente organizacional pode nos levar do céu ao inferno em dois segundos, dependendo de como e de quem o faz, assim como de quem o recebe, em qual contexto e do estado emocional naquele momento. O fato é que o feedback deve ser construtivo para os dois lados dessa excelente ferramenta de desenvolvimento, pois é capaz de contribuir (e muito) para o sucesso de ambos. Então vamos considerar que a intenção de todos é construir o melhor mecanismo.

 

É bem comum as emoções ganharem um “tempero” extra quando a relação está ligada ao feedback no ambiente de trabalho, o que pode te levar a ter desde os sentimentos mais positivos até os mais confusos.

Isto porque nossas reações e comportamentos dizem muito sobre como estamos nos sentindo em relação ao trabalho. Por exemplo: se sua função ou líder exige a execução de tarefas que não te agradam, você pode, com o tempo, perder o ritmo e o interesse em buscar melhores formas de fazê-las. Ou seja, ligar o “piloto automático” sem qualquer tipo de entusiasmo.

Essa falta de satisfação pode levar seu líder a considerar que está “desmotivado”, o que tende a representar uma ameaça para o seu crescimento na carreira, para a equipe como um todo e para o negócio em si.

Então, a solução é deixar de fazer? Só se vivêssemos em um mundo ideal e particular a nós. A possível melhor opção é entrar em acordo quanto às entregas que trazem bom ânimo e entusiasmo para alternar com as rotinas que gostamos menos, mas que precisam ser feitas, e o feedback é um caminho objetivo para isso! 

O QUE É FEEDBACK?

O feedback é um recurso da comunicação utilizado pelas organizações para estabelecer um alinhamento entre expectativas e desempenho com o objetivo de atingir os resultados esperados ao negócio, bem como o desenvolvimento de equipes ou pessoas. 

Assim, a relação vai de um ponto ao outro, em diversas direções, conforme a meta que se espera alcançar. Todos podem sair ganhando, vez que esse instrumento pode levar o negócio e as pessoas a patamares cada vez mais claros, objetivos e de constante aprendizado.

O feedback na prática

A. O que considerar para dar um bom feedback

  1. Tenha clareza do objetivo do feedback;
  2. Planeje e informe sobre o feedback com antecedência;
  3. Escolha um local adequado e reservado com o mínimo de interrupções;
  4. Estabeleça um tempo médio de até 1 hora e meia e comunique isso para quem irá receber;
  5. Compreenda o contexto no qual o indivíduo está inserido naquele momento, seus pensamentos e sentimentos;
  6. Relate, objetivamente, quais tópicos serão abordados naquela comunicação e, caso a pessoa queira acrescentar algo, reserve espaço para isso;
  7. Tratando item a item, estabeleça claramente o contexto em que as situações ocorreram, os comportamentos apresentados e os fatos transcorridos. Deixe de lado a sua opinião e busque tratar o fato em si e o comportamento esperado;
  8. Ninguém pode ser tão ruim que não tenha alguma qualidade a ser destacada. Ressalte isto antes de disparar as informações “negativas” ou os pontos que precisam ser desenvolvidos;
  9. Ao final, pergunte se a pessoa deseja acrescentar algo, se ficou claro e estabeleça um plano para que o que foi dito seja tratado com ações a serem desenvolvidas em prazos determinados.

B. O que considerar para receber um feedback

  1. Tenha clareza das ações positivas que terá ao final do feedback;
  2. Solicite um encontro em local que te deixa seguro para repassar as informações;
  3. Antes do feedback, avalie, trazendo ao máximo para sua consciência, o que pode dar certo e errado com suas emoções durante o processo;
  4. Ao se preparar para o momento e durante o processo, procure ter uma escuta ativa e positiva ao que está sendo dito;
  5. Considere sempre como uma oportunidade de desenvolvimento, mesmo que, ante a um feedback injusto e claramente equivocado, diga a si mesmo: “isto está errado, não quero fazer, essa situação não corresponde à verdade, e espero não agir como esta pessoa”;
  6. Diferencie comportamentos de sentimentos. Os comportamentos são fatos concretos. Mesmo que fujam da sua intenção ou vontade, eles ocorreram;
  7. Quando tiver clareza sobre quais ações precisam ser realizadas para que um objetivo de desenvolvimento seja alcançado, busque suas melhores forças, valores e sentimentos para se colocar em uma atitude positiva para atingi-lo de forma saudável tanto emocionalmente como mentalmente.

C.        O que considerar para acompanhar um feedback

  1. Como posso ajudar quem recebe um feedback? 

Para ter uma mente saudável e aprender a lidar com as emoções, é fundamental olhar para os que estão à nossa volta, ter senso de equipe, solidariedade e compaixão. Isto traz inúmeros benefícios e ajuda a ampliar os horizontes. 

Perceba! Não se trata de ser permissivo nem de camaradagem. Muito menos de conivência ou de “colocar lenha na fogueira” ou de realizar a qualquer custo/preço. A questão aqui é apoiar o outro para que ele possa se equilibrar, contribuindo para que ele atinja seu objetivo de forma madura e sustentável. Vale lembrar que a forma como se relaciona com o outro diz muito sobre você e suas emoções.

O aspecto emocional do feedback

Emoções podem ser fontes poderosas para construir ou destruir uma relação de feedback. Elas podem alavancar indivíduos, se canalizadas de forma correta, ou deixar marcas significativas, podendo, inclusive, definir a continuidade ou não de carreiras. Saiba como gerenciar as suas emoções pode ser uma estratégia para a sua saúde mental e carreira!

Certa vez, ao realizar uma entrevista com um candidato, me dei conta de que se tratava de um profissional de alta performance, muito acima da média. Enquanto ele apresentava seus cases de sucesso, os quais demonstrara coerência na tomada de decisões, liderança impecável e experiências muito solidificadas, eu pensava em como gostaria de trabalhar com alguém assim. 

Entretanto, em um dado momento, ele relatou que estava saindo de uma empresa, na qual trabalhou por muitos anos, em função de um feedback recebido de seu líder. Ao narrar o episódio, todas as suas emoções de raiva eclodiram e, em um estado de fúria, frisou: “vou sair e provar para ele que consigo, que não sou o que ele descreveu”. E tudo o que apontava como sendo seus planos serviriam, na verdade, para provar sua capacidade para o outro. Ou seja, não se tratavam de planos de carreira.

Provavelmente levará um tempo para que sua maturidade profissional estabeleça a riqueza de se fazer algo para si e, como consequência, quem sabe, no máximo, inspirar alguém a encontrar seu próprio caminho. O autoconhecimento de suas forças, habilidades e resultados passaram despercebidos ao profissional, que se atentou apenas ao que ainda não tinha desenvolvido.

Detalhe: Para ele, só seria possível se desenvolver fora daquele contexto profissional, quando, na realidade, provavelmente, suas chances e sua capacidade naquele ambiente poderiam ser até mais rápidas. Suas emoções o paralisaram, porque não interessava onde nem o que fazer, mas a quem ele pretendia atingir.Se somos responsáveis por nossa carreira, por que com as emoções seria diferente?

A busca por autoconhecimento é uma prática milenar, feita de várias formas, que vai desde um processo neuronal até o de autoajuda. E todos são importantes, desde que faça sentido, promova descobertas e proporcione se conhecer o suficiente para deixá-lo o mais consciente de si, responsável por suas escolhas e, sobretudo, te traga bem-estar.

Dessa forma, o feedback pode te proporcionar, no ambiente de trabalho, uma fonte para sua busca por autoconhecimento. Perceba, uma fonte, não a única. Então não saia por aí vivendo e sobrevivendo à base de feedbacks, pois, isto, além de impraticável, pode ser uma espécie de fuga, atribuindo ao outro o que compete fazer para si mesmo.

O autoconhecimento promove e contribui para a flexibilidade emocional. Ele também pode te auxiliar no momento de receber ou oferecer feedback, e ainda na hora de ser um ótimo ombro amigo!

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