A3 BLOG

and tags like '%disciplina%'

Como controlar as emoções de estresse

Publicado em 02/02/2021

Encontrar resposta para as emoções que são potencializadas em situações de estresse parece ser uma tarefa, no mínimo, desafiadora. Mas isso é possível com uma dose extra de resiliência.

As emoções em situações de estresse podem ser traduzidas de diferentes maneiras, a começar por aquela sensação de perda de controle e de que vamos explodir. Isso ocorre porque ainda temos impulsos pouco moldados, seja pela falta de autoconhecimento, inexperiência em situações semelhantes, seja pelas próprias frustrações que acabam afetando o discernimento.

Para reestabelecer o equilíbrio, será necessário considerar o que está em nível crônico, pois alguns estados emocionais podem ter evoluído para um patamar não saudável. Nesse caso, a intervenção vai demandar muito mais do que novos comportamentos, pois deverá incorporar, inclusive, circunstâncias e assistência profissional multidisciplinar.

A tristeza, por exemplo, pode estar em um estágio de depressão. Logo, situações de pressão podem potencializar esse estado emocional e atingir outros, como a apatia. Nessa conjuntura, o melhor mesmo será buscar ajuda específica, vez que o quadro já extrapolou o controle. Diante do exposto, algumas reflexões são importantes:

A. Consciência

A consciência em si amplifica o impacto causado por diversas emoções em situações de estresse e permite reconhecer o impulso. Isso pode ser desenvolvido ao longo de uma vida. Trata-se de uma constante autodescoberta sobre como proceder em diversos ambientes e contextos independentemente das pessoas envolvidas. Se somos responsáveis por nossa carreira, por que com as emoções seria diferente?

Essa compreensão pode ultrapassar o estado subjetivo, atingindo até mesmo o biológico, vez que a consciência pode surgir de estados emocionais acusados pelo corpo. Em uma situação de risco, quando um cão feroz se aproxima, por exemplo, podemos paralisar ou correr.

A partir daí, a consciência vai gerar uma experiência ou um aprendizado orgânico. Isso significa que, em ocasiões semelhantes, provavelmente seguiremos o mesmo padrão de reação. Deste modo, será fundamental superar essas situações e construir novos aprendizados.

B. Resolução de problemas

Geralmente, situações de estresse exigem solução de problemas e tomada de decisões. Por outro lado, esses momentos podem trazer uma desordem ou confusão emocional por estarmos habituados a agir e sentir de determinada forma.

Ter a clareza de que esses eventos vão surgir (e exigir resposta) pode ser o caminho para lidar com eles de forma mais leve, reduzindo a duração da confusão e, com isso, dinamizando o retorno ao equilíbrio emocional.

A flexibilidade precisa estar em um patamar cognitivo e emocional que permita perceber que, para toda solução, existiu um problema. O equilíbrio está em saber usar essas pontes mentais e emocionais como oportunidades, afastando pensamentos e comportamentos negativos e limitadores. Gerenciar as suas emoções é estratégia para a sua saúde mental e carreira.

C. Disciplina

Frequentemente, a palavra disciplina é associada a algo maçante, rígido e difícil de ser alcançado, quando, na verdade, pode representar justamente o contrário. Isso ocorre porque, normalmente, seu significado está atrelado a uma ordem ou resistência.

Por estar vinculada a uma continuidade ou sequência a ser parametrizada e seguida, a disciplina acaba sendo confundida com ordem. Mas, em situações de estresse, com a devida dose de flexibilidade, as nossas reações podem se tornar fonte de nova ordem e coerência.

Outro fator marcante é a resiliência. É ela que, em situações emocionalmente estressantes, coloca o ritmo e serve de guia para o caminho a ser trilhado.  A definição de continuidade é que trará novos discernimentos. Resiliência é a capacidade de aguentar tudo?

Soma dos fatores

Quando se trata de emoções, a soma dos fatores pode mudar. Recentemente, atendi uma profissional da área da saúde que, diante da pandemia, relatou a sua completa imersão em todo tipo de pressão possível e imaginável.

O quadro foi se transformando, quase instantaneamente, em um turbilhão de emoções boas e ruins. Os sintomas foram revelados através de crises recorrentes de choro, diante de conflitos cotidianos (profissionais e pessoais), acarretando mágoa e irritabilidade.

Nitidamente algo estava errado. Sua convivência no trabalho e com os outros foi se tornando insuportável. O problema se tornou tão evidente que seu filho, de apenas 8 anos de idade, chegou ao ponto de dizer: “Mamãe, não quero ficar perto da senhora. Você está com um olhar estranho e estou com medo”.

Para não chegar nesse estágio, é interessante buscar um processo de autoconhecimento constante com propostas terapêuticas. Mas, quando isso não for possível, eleja uma pessoa de sua confiança, no ambiente pessoal ou de trabalho, para lhe fornecer orientação e feedback sobre seu comportamento.

Lembre-se: uma pessoa de sua confiança não é aquela que concorda com tudo que você faz. Ela precisa ser imparcial ao ponto de dar contribuições ao seu crescimento. No ambiente de trabalho, um líder pode ser uma boa opção.

Cabe também visualizar seus diversos papéis nos grupos que participa a fim de analisar: como você age em cada um deles; se o seu comportamento se repete e o que isso traz de positivo e negativo.

Quando estiver mergulhado em situações sem precedentes e perceber que as emoções estão saindo do controle, estabeleça algumas pausas de, no mínimo, 90 segundos cada. Esse é o tempo médio para que o cérebro consiga gerar consciência ou melhor percepção de si, voltando a atenção e a intenção ao que você realmente precisa fazer.

 Escolher emoções

A falta de controle começa quando caímos no erro de querer escolher as emoções como em um cardápio de comidas e bebidas. Emoções precisam ser sentidas, vividas e experimentadas. Todas elas, sem exceção, são fundamentais para o nosso amadurecimento emocional. Descubra como desenvolver a sua inteligência emocional com esses seis passos dessa minitrilha!

Não dá para simplesmente viver em um universo paralelo, escolhendo situações estressoras ou não. Não temos o controle sobre passar ou não por problemas. Então como fazer? 

O primeiro passo é entender que os momentos adversos passarão, mas os estados emocionais ficarão eternamente gravados como marcas boas ou difíceis do seu percurso. Desapontar a si mesmo ou aos outros pode acontecer.  Nessas horas, não tem problema voltar atrás, pedir desculpas, aprender com os erros e dar uma nova chance.

Existe uma técnica japonesa que consiste em consertar peças de valor sentimental com uma mistura feita de massa branca e pó em ouro, evidenciando as marcas dos pedaços colados e tornando o objeto único e especial. Do mesmo modo, nossas emoções podem trazer essas marcas e temos o poder de escolher como queremos transformá-las.

O ambiente organizacional é mais objetivo, direto e, às vezes, impiedoso com os erros. Suas marcas podem se tornar julgamentos e mudar completamente sua carreira. Então, em momentos de estresse, vale a pena escolher ações mais preventivas e que fortaleçam seus comportamentos e emoções. O autoconhecimento é o caminho para isso.

leia mais