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Ou melhor: Como não deixar de fazer planejamento de carreira durante a pandemia? 

 

1.   Pandemia e mudança de planos 

Quando a pandemia da Covid-19 foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em março de 2020, era praticamente impossível prever qual seria o real impacto disso. 

Na prática, quase todos os projetos precisaram ser revistos em termos de estratégia e operacionalização. Quem estava planejando férias, aumento de salário ou até mesmo o desenvolvimento de alguma competência específica, precisou repensar a situação.

Tudo parece ter acontecido de maneira repentina. O isolamento passou a ser uma regra contra a propagação do vírus. 

Diante deste cenário, nos vimos obrigados a fazer as coisas de formas distintas, cada um à sua maneira e dentro de suas possibilidades.  Logo, as diferenças começaram a estampar uma realidade brutal, vez que nem todos têm os mesmos recursos e habilidades.

  • Você se lembra daquele amigo de trabalho que não tinha internet nem computador em casa?
  • E daquela líder que tinha dificuldade de estabelecer horários e agora precisa se esforçar para conciliar a sua nova rotina com as aulas on-line dos filhos?
  • E daquela promoção tão esperada que foi colocada em segundo plano, pois a necessidade agora é absorver outras atividades (desligar, ressignificar estratégias e manter o mínimo fazendo o máximo) até porque o termo austeridade nunca se fez tão presente?

Enfim, tudo mudou.

O que temos em comum?

Em comum, sem dúvida, temos o vírus. A pandemia trouxe à tona dificuldades, limitações e tudo o que nos define como indivíduo único com nossas particularidades. O que parecia estranho e diferente foi se ajustando e se aproximando por meio da tecnologia.

Em meio a tantas reuniões embaraçosas, pela falta de organização ou clareza do que precisava ser feito, alguns elementos permaneciam: a voz, a imagem (quando era possível), os problemas, as limitações, os medos, a confiança, a perseverança.

Via de regra, a pandemia está mexendo com a saúde mental de todo mundo. Não é por menos. Basta aprofundar um pouco a conversa para ouvir dificuldades como: diminuição da renda familiar; perda de entes queridos; insegurança; falta de concentração, baixa produtividade e cansaço levado a potência máxima.

O fato é que a incerteza fez a ansiedade decolar e uma pergunta se tornou comum nos consultórios médicos: “Esta falta de ar é ansiedade ou Coronavírus?”. E os sintomas físicos da ansiedade podem ir além: tensão muscular, insônia, palpitações, suor excessivo e dores de cabeça são alguns exemplos.

Por outro lado, a pandemia reaproximou as pessoas mesmo que virtualmente. O relacionamento digital que, no início, era visto por alguns como complexo, difícil e exaustivo, agora passou a ser encarado como alternativa viável.

Evolução na carreira: novas possibilidades

O olhar sobre a carreira mudou de forma drástica nos últimos anos sobretudo em razão das redes sociais que propiciaram maior interação, integração e exposição. Foram disponibilizados novos recursos que modificaram a forma de se ver e ser visto, apresentar e ser apresentado. Essa conexão tem sido potencializada dia após dia.

Assim, a compreensão de trabalho e mercado se tornou multifacetada com mutações perceptíveis. A quantidade de informações, assim como a forma de coletá-las e avaliá-las, afetou a maneira de conduzir e compreender a carreira.

O tempo investido em uma experiência profissional se tornou mais relativo e menos engessado. As formações passaram a ser consideradas fundamentais e capazes de definir habilidades, comportamentos e competências específicas para cada contexto e vivência.

Os conhecimentos pessoais, a exemplo dos que promovem bem-estar, satisfação e felicidade, foram considerados e quantificados como uma base de dados capaz de definir ações para orientar, de forma personalizada, a carreira e as expectativas das organizações e mercados.

Tudo se transformou em uma grande escola prática a ser considerada no planejamento da carreira. E nunca fez tanto sentido quanto agora, neste momento de crise, em função da pandemia, ter o máximo de certeza do que se quer. Suas escolhas podem lhe custar estar ou não empregado.

Planejar sempre é preciso!

O planejamento de carreira sempre será necessário com ou sem pandemia. Carreira é algo extremamente dinâmico e em movimento com o mercado. Então, planejá-la sempre pode ser uma questão de sobrevivência à empregabilidade

Diferentemente do que se pode pensar, planejamento é um instrumento poderoso que precisa ser considerado constantemente. Isto é, o fato de tê-lo realizado anteriormente não exclui a necessidade de revisitá-lo para criar novas oportunidades e ajustar metas e prazos.

Os impactos trazidos pela pandemia atingiram os mais variados aspectos da vida.  E, na carreira, não é diferente, seja por desligamento, ajuste de remuneração, jornada de trabalho, novos modelos de gestão. Todas essas alterações podem criar oportunidades infinitas para a carreira. Então, a chance que se tem para dar um passo certo é, sem dúvida, o planejamento.

Este planejamento de carreira dependerá da maneira como o mercado irá se relacionar com o que você busca e o que poderá ofertar. Deste modo, o planejamento em situações incertas, perturbadoras e que causam medo pode dizer muito sobre a forma de lidar com pressão.

É óbvio que se trata de algo extremamente crítico, principalmente no que diz respeito à trajetória profissional. Indiscutivelmente, gerenciar as emoções conflitantes encontrando a equivalência em oportunidades de crescimento, é tarefa para quem se conhece. 

Para lidar melhor com a realidade atual, enfrentando a pressão da incerteza, tempo e força de trabalho, algumas dicas são importantes:

Como fazer

  1. Avalie os seus propósitos e objetivos;
  2. Observe a trajetória de todo o currículo;
  3. Tenha clareza do seu perfil: forças e fraquezas, saindo de avaliações de senso comum;
  4. Observe como o mercado vem se comportando;
  5. Compare o momento atual com a realidade futura;
  6. Trace um plano de desenvolvimento;
  7. Execute um plano de ação em curto, médio e longo prazo.

Em situações de crise, não temos elementos suficientes para compreender, lidar e controlar aspectos físicos e emocionais. A nossa tendência é acreditar que isso também se aplica à carreira. Isso não é verdade!

Tratando de carreira, existe a possibilidade de assumir o controle. Ao considerar que momentos adversos trazem conhecimento, é admissível criar mapas de percurso, utilizar ferramentas e recursos minimamente aplicáveis em qualquer circunstância.

A habilidade de mudar a perspectiva em determinadas situações pode ser um grande diferencial na carreira. Afinal, enxergar e perceber algo que não estamos habituados é um exercício extremamente enriquecedor no campo profissional e pessoal.

Avaliar a carreira em plena pandemia pode parecer uma missão impossível. Para alguns, o máximo a ser feito, neste momento, é garantir o emprego. No entanto, a carreira precisa estar constantemente na estrada. E isso exige planejamento e tempo de execução.

 A sua carreira é sua ou do mundo?

A jornada da vida, na qual se insere a carreira, é dinâmica e espera por nossa atitude ativa e altiva. Como bem diz a música “Travessia”, de Milton Nascimento: “Solto a voz nas estradas, já não quero parar”.

Durante o planejamento profissional, cabe refletir: A carreira é minha ou do mundo? A resposta não é uma equação matemática e requer conhecimento, sendo necessário analisar se está ou não preparado para pensar no assunto de forma ampla, incluindo as funções e onde são desempenhadas.

Para atingir resultados, reduzir custos e aprimorar talentos, as organizações precisam de planejamento. A mesma lógica deve ser aplicada à carreira, sobretudo em momentos de crise, a exemplo da atual.

Assim como em uma empresa, a carreira precisa ser considerada um organismo vivo, que precisa de estratégias para ser sustentável, competitiva e rentável; receber e fazer investimentos; além de gerenciar pessoas que podem melhor contribuir.

Voltando à pergunta mencionada anteriormente, é possível perceber que temos nas mãos a carreira, mas que, igualmente, ela tem vida própria e caminha (ou se estagna) à medida que o mundo se mexe e suas relações se movimentam.

Planejamento de carreira tem início, meio e fim. Encontrar constantemente novos caminhos precisa estar associado à realidade de mudanças do mercado. Sendo assim, indiscutivelmente, a pandemia repercute drasticamente na carreira de todos.

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A crise nos causa medo, insegurança e ansiedade, e é isso que todos nós vivenciamos seja colaborador, seja dono de empresa, enfim, qualquer pessoa agora.

 

Poderíamos trazer milhões de exemplos de profissionais (colaboradores e empresários) impactados na sua saúde mental por conta da pandemia assim como estes fictícios que representam a realidade de muitos agora:

  • Larissa sente que o seu processo criativo está mais lento;
  • Augusto está com dificuldades para entender a queda de produtividade da sua equipe em home office;
  • Sônia está desesperada porque precisa apresentar um projeto da empresa, mas o seu bairro ficará sem energia justamente neste dia de home office;
  • Rodrigo sente falta dos amigos e do lazer nos horários de folga; 
  • O grau de irritabilidade de Rafael, trabalhando em home office e com os dois filhos pequenos no seu pequeno apartamento, está dificultando a sua concentração nas atividades...

Você se identifica com alguns destes cases

Está tudo diferente de como era há alguns meses atrás, não é mesmo? Neste novo momento, qual emoção você mais sentiu? Sentiu medo? É isso o que muitos estão sentindo...

O lazer, as relações, os comportamentos, as formas de consumo, contato, prevenção, preocupações...Tudo está diferente de como era há alguns meses atrás.  O Coronavírus nos gera medo, insegurança e ansiedade, e é isso que todos nós vivenciamos seja colaborador, seja dono de empresa, enfim, qualquer pessoa agora.

Diante de uma crise mundial, sentir emoções negativas é no mínimo aceitável.

O medo dos brasileiros diante da pandemia

O Centro de Valorização da Vida (CVV) presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar sob total sigilo e anonimato.

Segundo o Relatório Mensal de Atividades Nacionais do CVV, em abril de 2020, foram recebidas 308.909 ligações e a quantidade de ligações ficam muito próximas de 300 mil por mês se analisarmos os primeiros quatro meses deste ano de 2020.

Em entrevista a TV Record de Rio Preto, o voluntário do órgão, Francisco Leal, relata que, de dez ligações, nove são a respeito dos sentimentos relacionados ao Coronavírus. A distância dos amigos e parentes, medo de perder o emprego, de contrair a doença e a insegurança em relação ao futuro podem ser alguns temores dos brasileiros neste momento.

Se analisarmos essas angústias percebemos que são sentimentos gerais de qualquer pessoa. O desafio é de todos.

Não se pode deixar de considerar que tanto o profissional quanto empresário têm sofrido impactos na sua saúde mental por conta do atual momento, mas é notório também que cada um esteja vivenciando suas preocupações em perspectivas diferentes.

Diante de tudo isso, o CVV nos revela um ponto positivo: o brasileiro tem buscado algum tipo de suporte neste momento.

O medo da população mundial diante da pandemia

O documento “Resumo de Política: COVID-19 e a Necessidade de ação em Saúde Mental” publicado no mês de maio deste ano pelas Nações Unidas, revela que muitas pessoas estão com medo devido a vários fatores, como:

  • impactos imediatos do vírus na saúde;
  • consequências do isolamento físico;
  • risco de infecção, morte e de perder membros da família;
  • distanciamento físico dos entes queridos e pares;
  • problemas econômicos correndo o risco de perder (ou já terem perdido) sua renda e meios de subsistência.

Informações erradas e rumores frequentes sobre o vírus e profunda incerteza sobre o futuro também contribuem para a disseminação dos sintomas de preocupação e ansiedade.

O documento revela que um aumento de longo prazo no número e gravidade de problemas de saúde mental é provável com níveis mais altos do que o habitual de sintomas de depressão e ansiedade em vários países.

A ansiedade pode ser justificada pela falta de entendimento do cenário ou pela incerteza e instabilidade em relação ao futuro. No Brasil, além do impacto econômico já esperado, a instabilidade política e a condição da saúde pública (já sucateada com todos os problemas antigos) são dois agravantes para esse mal estar psicológico.

Para todos, profissionais e empresários, o medo e a insegurança parecem ser um dos sentimentos mais presentes no atual momento. O medo das demissões e o impacto da pandemia na sobrevivência do negócio são exemplos das principais angústias de cada um respectivamente. O risco de contrair a doença atinge ambos.

Os empresários também lidam com a responsabilização pelo retorno seguro das suas atividades e de como os funcionários estarão aptos a isso. A nossa entrevista com empresários goianos do agronegócio e do setor industrial revelam a perspectiva deles em relação ao momento.

Os problemas de saúde mental dos profissionais no Brasil

Antonietta Medeiros, médica e diretora de gestão de saúde e qualidade de vida da Mercer Marsh Benefícios, em uma reportagem ao jornal Valor Econômico, destaca que os problemas de saúde mental estão entre o terceiro motivo de afastamento de trabalhadores no Brasil. Eles já vinham ocupando destaque no impacto da saúde dos trabalhadores brasileiros e agora são ainda reforçados pelos desafios exclusivos da pandemia.

É um assunto que deve sim estar na pauta dos empresários. Políticas de inclusão e apoio aos funcionários podem ser caminhos efetivos para relações de trabalho melhores considerando este novo contexto.

É importante também ressaltar o papel das mídias no emocional de todos. Não se pode desconsiderar o seu papel de divulgação de dados, mas é preciso reconhecer que a quantidade de informações negativas tem um impacto e pode agravar a saúde mental dos espectadores.

É necessário cautela, discernimento e criticidade em relação ao tipo de informação buscada porque isso pode ter bastante influência no que você está sentindo hoje e na sua motivação daqui para frente.

Isso é muito importante também se pensarmos na organização como um todo. Que tipo de informações são veiculadas na empresa e como são comunicadas, além de um olhar mais atento à saúde emocional dos líderes são questões a serem pensadas daqui para frente porque terão ainda mais impacto no emocional dos colaboradores.

Sentir emoções negativas agora é no mínimo aceitável. Como então perceber a gravidade?

O momento é difícil e, por isso, sentimentos ruins vão aparecer ou aflorar. O que precisa ser percebido é se essas emoções estão frequentes impactando de maneira muito profunda na sua rotina, trabalho e relacionamentos.

A psiquiatra Emanuelle Garmes, que atua no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, à reportagem publicada no jornal Valor Econômico, revela que o ponto de alerta é quando a pessoa perde o controle da situação e precisa de cuidados específicos. É necessário sabermos diferenciar o que são sentimentos típicos do momento, como tristeza e nervosismo, de transtornos de depressão e ansiedade.

Pode-se perceber que é um momento de caos para todos, mas também uma oportunidade para olhar para si com mais resiliência e cuidado não se deixando levar por todo o desespero coletivo que as mídias e a própria situação tendem a nos levar.

Mesmo tentando sinalizar e entender os aspectos que impactam a saúde mental de colaborador e empresário, o contexto nos revela que os medos são praticamente os mesmos. Somos humanos e as emoções que sentimos fazem nos assemelhar cada vez mais, solidarizar-nos e entender que todos, enfim, vivenciam desafios.

O momento precisa ser vivido e sentido. O autoconhecimento voltado para a conscientização das emoções e do impacto delas na vida e relações pode ser uma oportunidade para colaboradores e empresários cuidarem da sua saúde mental e lidarem com o medo que esta pandemia evidencia.

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