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Três experiências reais revelam como a pandemia significou uma oportunidade para profissionais entrarem em contato de forma mais profunda com os seus valores pessoais e profissionais.

 

Alguns relatos de profissionais têm se destacado nas nossas entrevistas de seleção por mostrarem o lado positivo da pandemia: uma oportunidade para entrarem em contato de forma mais profunda com os seus valores pessoais e profissionais.

Compartilharemos três desses relatos de gestores reais participantes dos processos seletivos da A3 Consultoria, pois representam uma perspectiva positiva sobre a pandemia a qual estamos vivendo e inspiram esperança diante de todas as perdas e dificuldades vivenciadas por profissionais e empresas. Eles destacam:

  • a importância do convívio familiar e um trabalho que tenha flexibilidade quanto a isso;
  • a atitude para novos conhecimentos;
  • a oportunidade de reconhecer os valores da empresa.

É uma oportunidade para perceber que em toda crise também existe uma oportunidade de evoluir, ainda que, considerando toda dor e sofrimento envolto a esse processo.

O que é uma entrevista de seleção?

A entrevista de seleção é uma das etapas do processo de Recrutamento e Seleção. O objetivo é avaliar se o profissional está aderente aos valores da empresa e dentro dos pré-requisitos técnicos e comportamentais da vaga.

Essas entrevistas, que acontecem agora de forma on-line em respeito às normas de segurança devido ao risco de contaminação pela COVID-19, nos possibilitam conhecer a trajetória profissional de vários candidatos, assim como as conquistas e desafios experienciados principalmente no momento atual devido à pandemia.

1º caso de profissional – Valor: família

O primeiro caso é de uma profissional participante do nosso processo seletivo que, por conta do isolamento social e da experiência home office, começou a refletir de forma mais ativa sobre a relação: horário e formato de trabalho e tempo com a família.

“O isolamento social me fez permanecer um tempo maior em casa e, consequentemente, que eu passasse mais tempo com meus familiares, visto que minha rotina de trabalho não me permitia um contato tão intenso”.

Esse período contribuiu para ela fortalecer os laços familiares, e o tempo com a família se tornou fator importante para considerar em uma nova oportunidade de trabalho o qual ela revelou de forma transparente na entrevista.

Isso se torna norteador para qual tipo de oportunidade faz sentido para ela. Ela assume um papel ativo na sua escolha reforçando o que para ela é um valor: uma modalidade de trabalho que possibilite mais tempo com a família.

O home office foi e ainda está sendo realidade para muitos profissionais. Estamos acostumados a perceber os desafios em relação à convivência com a família diante das diversas rotinas dos integrantes da casa, além dos serviços domésticos, por exemplo. 

Neste caso, percebe-se uma profissional que se atentou ao que era valor para ela, e isso consequentemente pode direcioná-la ao perfil de trabalho o qual aceitará e, a longo prazo, determinará de forma relevante o seu indicador de uma carreira de sucesso.

2º caso de profissional - Valor: conhecimento

É fato que, com a pandemia, muitas empresas e instituições se viram obrigadas a adaptar os seus serviços para o ambiente digital de forma rápida.  Os profissionais também precisaram vivenciar essa adequação principalmente em relação ao uso das ferramentas digitais.

Esta é outra perspectiva que percebemos com as nossas entrevistas de seleção: atitude para buscar novos conhecimentos:

·         De novas tecnologias e ferramentas digitais;

·         De competências para lidar com o cenário de mudanças;

·         De recursos para lidar com as próprias emoções (um pouco mais afloradas nesse momento);

·         De determinação e foco para continuar seguindo na carreira.

É possível perceber que muitos profissionais estão aproveitando esse momento para investir no seu conhecimento. O autoconhecimento é  fundamental nesse processo, pois ter clareza dos objetivos direciona o seu foco para qual tipo de conhecimento técnico e comportamental será estratégico considerando o momento do mercado, a posição que você procura/ocupa e os seus objetivos de carreira. 

Com a Covid-19, as pessoas tiveram a oportunidade de ressignificar muita coisa. A experiência de aprendizado é uma delas.

3º caso de profissional - Valores da empresa

Outro caso que tivemos a oportunidade de conhecer por meio das entrevistas de seleção foi de uma profissional que estava disponível para novas oportunidades mesmo trabalhando em uma empresa. No decorrer do processo seletivo, quando fizemos contato com ela, ela nos trouxe a seguinte informação: havia contraído Covid.

Nesse momento tão difícil para ela, obteve total apoio da empresa onde trabalha em relação aos cuidados e suporte em relação à sua recuperação, e isso a fez repensar se aquele era o momento certo de sair e tentar outras oportunidades.

Fica claro o impacto das ações da organização para reter os seus colaboradores. O cuidado que essa profissional recebeu da empresa, diante desse momento delicado de saúde, a fez repensar e até motivá-la a continuar trabalhando.

Os valores da empresa estavam alinhados com os dela. Isso gerou conexão. É importante pensar o quanto os valores da empresa precisam estar alinhados aos dos profissionais e vice-versa para que seja uma relação transparente e que fortaleça a relação empregado-empregador. Afinal, os valores são os norteadores das ações dos profissionais e das empresas.

A gestora agradeceu a oportunidade declinando do nosso processo seletivo e optando por continuar na empresa a qual trabalha.

É notório o quanto as relações têm bastante impacto para continuarmos nos ressignificando: seja na sua relação consigo mesmo pela busca de novos conhecimentos; seja na sua relação familiar e o quanto ela pode impactar nas suas escolhas profissionais e na sua definição de sucesso; seja na sua relação com a empresa a qual trabalha para conseguir lidar com os desafios e entregar o que propõe.

Analisando os três casos compartilhados, podemos perceber que os valores são norteadores essenciais para profissionais e empresas agirem e lidarem de forma positiva com esta pandemia.

 

Joana Darque - Human Resources Manager A3 Consultoria

 

 

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Ou melhor: Como não deixar de fazer planejamento de carreira durante a pandemia? 

 

1.   Pandemia e mudança de planos 

Quando a pandemia da Covid-19 foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em março de 2020, era praticamente impossível prever qual seria o real impacto disso. 

Na prática, quase todos os projetos precisaram ser revistos em termos de estratégia e operacionalização. Quem estava planejando férias, aumento de salário ou até mesmo o desenvolvimento de alguma competência específica, precisou repensar a situação.

Tudo parece ter acontecido de maneira repentina. O isolamento passou a ser uma regra contra a propagação do vírus. 

Diante deste cenário, nos vimos obrigados a fazer as coisas de formas distintas, cada um à sua maneira e dentro de suas possibilidades.  Logo, as diferenças começaram a estampar uma realidade brutal, vez que nem todos têm os mesmos recursos e habilidades.

  • Você se lembra daquele amigo de trabalho que não tinha internet nem computador em casa?
  • E daquela líder que tinha dificuldade de estabelecer horários e agora precisa se esforçar para conciliar a sua nova rotina com as aulas on-line dos filhos?
  • E daquela promoção tão esperada que foi colocada em segundo plano, pois a necessidade agora é absorver outras atividades (desligar, ressignificar estratégias e manter o mínimo fazendo o máximo) até porque o termo austeridade nunca se fez tão presente?

Enfim, tudo mudou.

O que temos em comum?

Em comum, sem dúvida, temos o vírus. A pandemia trouxe à tona dificuldades, limitações e tudo o que nos define como indivíduo único com nossas particularidades. O que parecia estranho e diferente foi se ajustando e se aproximando por meio da tecnologia.

Em meio a tantas reuniões embaraçosas, pela falta de organização ou clareza do que precisava ser feito, alguns elementos permaneciam: a voz, a imagem (quando era possível), os problemas, as limitações, os medos, a confiança, a perseverança.

Via de regra, a pandemia está mexendo com a saúde mental de todo mundo. Não é por menos. Basta aprofundar um pouco a conversa para ouvir dificuldades como: diminuição da renda familiar; perda de entes queridos; insegurança; falta de concentração, baixa produtividade e cansaço levado a potência máxima.

O fato é que a incerteza fez a ansiedade decolar e uma pergunta se tornou comum nos consultórios médicos: “Esta falta de ar é ansiedade ou Coronavírus?”. E os sintomas físicos da ansiedade podem ir além: tensão muscular, insônia, palpitações, suor excessivo e dores de cabeça são alguns exemplos.

Por outro lado, a pandemia reaproximou as pessoas mesmo que virtualmente. O relacionamento digital que, no início, era visto por alguns como complexo, difícil e exaustivo, agora passou a ser encarado como alternativa viável.

Evolução na carreira: novas possibilidades

O olhar sobre a carreira mudou de forma drástica nos últimos anos sobretudo em razão das redes sociais que propiciaram maior interação, integração e exposição. Foram disponibilizados novos recursos que modificaram a forma de se ver e ser visto, apresentar e ser apresentado. Essa conexão tem sido potencializada dia após dia.

Assim, a compreensão de trabalho e mercado se tornou multifacetada com mutações perceptíveis. A quantidade de informações, assim como a forma de coletá-las e avaliá-las, afetou a maneira de conduzir e compreender a carreira.

O tempo investido em uma experiência profissional se tornou mais relativo e menos engessado. As formações passaram a ser consideradas fundamentais e capazes de definir habilidades, comportamentos e competências específicas para cada contexto e vivência.

Os conhecimentos pessoais, a exemplo dos que promovem bem-estar, satisfação e felicidade, foram considerados e quantificados como uma base de dados capaz de definir ações para orientar, de forma personalizada, a carreira e as expectativas das organizações e mercados.

Tudo se transformou em uma grande escola prática a ser considerada no planejamento da carreira. E nunca fez tanto sentido quanto agora, neste momento de crise, em função da pandemia, ter o máximo de certeza do que se quer. Suas escolhas podem lhe custar estar ou não empregado.

Planejar sempre é preciso!

O planejamento de carreira sempre será necessário com ou sem pandemia. Carreira é algo extremamente dinâmico e em movimento com o mercado. Então, planejá-la sempre pode ser uma questão de sobrevivência à empregabilidade

Diferentemente do que se pode pensar, planejamento é um instrumento poderoso que precisa ser considerado constantemente. Isto é, o fato de tê-lo realizado anteriormente não exclui a necessidade de revisitá-lo para criar novas oportunidades e ajustar metas e prazos.

Os impactos trazidos pela pandemia atingiram os mais variados aspectos da vida.  E, na carreira, não é diferente, seja por desligamento, ajuste de remuneração, jornada de trabalho, novos modelos de gestão. Todas essas alterações podem criar oportunidades infinitas para a carreira. Então, a chance que se tem para dar um passo certo é, sem dúvida, o planejamento.

Este planejamento de carreira dependerá da maneira como o mercado irá se relacionar com o que você busca e o que poderá ofertar. Deste modo, o planejamento em situações incertas, perturbadoras e que causam medo pode dizer muito sobre a forma de lidar com pressão.

É óbvio que se trata de algo extremamente crítico, principalmente no que diz respeito à trajetória profissional. Indiscutivelmente, gerenciar as emoções conflitantes encontrando a equivalência em oportunidades de crescimento, é tarefa para quem se conhece. 

Para lidar melhor com a realidade atual, enfrentando a pressão da incerteza, tempo e força de trabalho, algumas dicas são importantes:

Como fazer

  1. Avalie os seus propósitos e objetivos;
  2. Observe a trajetória de todo o currículo;
  3. Tenha clareza do seu perfil: forças e fraquezas, saindo de avaliações de senso comum;
  4. Observe como o mercado vem se comportando;
  5. Compare o momento atual com a realidade futura;
  6. Trace um plano de desenvolvimento;
  7. Execute um plano de ação em curto, médio e longo prazo.

Em situações de crise, não temos elementos suficientes para compreender, lidar e controlar aspectos físicos e emocionais. A nossa tendência é acreditar que isso também se aplica à carreira. Isso não é verdade!

Tratando de carreira, existe a possibilidade de assumir o controle. Ao considerar que momentos adversos trazem conhecimento, é admissível criar mapas de percurso, utilizar ferramentas e recursos minimamente aplicáveis em qualquer circunstância.

A habilidade de mudar a perspectiva em determinadas situações pode ser um grande diferencial na carreira. Afinal, enxergar e perceber algo que não estamos habituados é um exercício extremamente enriquecedor no campo profissional e pessoal.

Avaliar a carreira em plena pandemia pode parecer uma missão impossível. Para alguns, o máximo a ser feito, neste momento, é garantir o emprego. No entanto, a carreira precisa estar constantemente na estrada. E isso exige planejamento e tempo de execução.

 A sua carreira é sua ou do mundo?

A jornada da vida, na qual se insere a carreira, é dinâmica e espera por nossa atitude ativa e altiva. Como bem diz a música “Travessia”, de Milton Nascimento: “Solto a voz nas estradas, já não quero parar”.

Durante o planejamento profissional, cabe refletir: A carreira é minha ou do mundo? A resposta não é uma equação matemática e requer conhecimento, sendo necessário analisar se está ou não preparado para pensar no assunto de forma ampla, incluindo as funções e onde são desempenhadas.

Para atingir resultados, reduzir custos e aprimorar talentos, as organizações precisam de planejamento. A mesma lógica deve ser aplicada à carreira, sobretudo em momentos de crise, a exemplo da atual.

Assim como em uma empresa, a carreira precisa ser considerada um organismo vivo, que precisa de estratégias para ser sustentável, competitiva e rentável; receber e fazer investimentos; além de gerenciar pessoas que podem melhor contribuir.

Voltando à pergunta mencionada anteriormente, é possível perceber que temos nas mãos a carreira, mas que, igualmente, ela tem vida própria e caminha (ou se estagna) à medida que o mundo se mexe e suas relações se movimentam.

Planejamento de carreira tem início, meio e fim. Encontrar constantemente novos caminhos precisa estar associado à realidade de mudanças do mercado. Sendo assim, indiscutivelmente, a pandemia repercute drasticamente na carreira de todos.

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A crise nos causa medo, insegurança e ansiedade, e é isso que todos nós vivenciamos seja colaborador, seja dono de empresa, enfim, qualquer pessoa agora.

 

Poderíamos trazer milhões de exemplos de profissionais (colaboradores e empresários) impactados na sua saúde mental por conta da pandemia assim como estes fictícios que representam a realidade de muitos agora:

  • Larissa sente que o seu processo criativo está mais lento;
  • Augusto está com dificuldades para entender a queda de produtividade da sua equipe em home office;
  • Sônia está desesperada porque precisa apresentar um projeto da empresa, mas o seu bairro ficará sem energia justamente neste dia de home office;
  • Rodrigo sente falta dos amigos e do lazer nos horários de folga; 
  • O grau de irritabilidade de Rafael, trabalhando em home office e com os dois filhos pequenos no seu pequeno apartamento, está dificultando a sua concentração nas atividades...

Você se identifica com alguns destes cases

Está tudo diferente de como era há alguns meses atrás, não é mesmo? Neste novo momento, qual emoção você mais sentiu? Sentiu medo? É isso o que muitos estão sentindo...

O lazer, as relações, os comportamentos, as formas de consumo, contato, prevenção, preocupações...Tudo está diferente de como era há alguns meses atrás.  O Coronavírus nos gera medo, insegurança e ansiedade, e é isso que todos nós vivenciamos seja colaborador, seja dono de empresa, enfim, qualquer pessoa agora.

Diante de uma crise mundial, sentir emoções negativas é no mínimo aceitável.

O medo dos brasileiros diante da pandemia

O Centro de Valorização da Vida (CVV) presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar sob total sigilo e anonimato.

Segundo o Relatório Mensal de Atividades Nacionais do CVV, em abril de 2020, foram recebidas 308.909 ligações e a quantidade de ligações ficam muito próximas de 300 mil por mês se analisarmos os primeiros quatro meses deste ano de 2020.

Em entrevista a TV Record de Rio Preto, o voluntário do órgão, Francisco Leal, relata que, de dez ligações, nove são a respeito dos sentimentos relacionados ao Coronavírus. A distância dos amigos e parentes, medo de perder o emprego, de contrair a doença e a insegurança em relação ao futuro podem ser alguns temores dos brasileiros neste momento.

Se analisarmos essas angústias percebemos que são sentimentos gerais de qualquer pessoa. O desafio é de todos.

Não se pode deixar de considerar que tanto o profissional quanto empresário têm sofrido impactos na sua saúde mental por conta do atual momento, mas é notório também que cada um esteja vivenciando suas preocupações em perspectivas diferentes.

Diante de tudo isso, o CVV nos revela um ponto positivo: o brasileiro tem buscado algum tipo de suporte neste momento.

O medo da população mundial diante da pandemia

O documento “Resumo de Política: COVID-19 e a Necessidade de ação em Saúde Mental” publicado no mês de maio deste ano pelas Nações Unidas, revela que muitas pessoas estão com medo devido a vários fatores, como:

  • impactos imediatos do vírus na saúde;
  • consequências do isolamento físico;
  • risco de infecção, morte e de perder membros da família;
  • distanciamento físico dos entes queridos e pares;
  • problemas econômicos correndo o risco de perder (ou já terem perdido) sua renda e meios de subsistência.

Informações erradas e rumores frequentes sobre o vírus e profunda incerteza sobre o futuro também contribuem para a disseminação dos sintomas de preocupação e ansiedade.

O documento revela que um aumento de longo prazo no número e gravidade de problemas de saúde mental é provável com níveis mais altos do que o habitual de sintomas de depressão e ansiedade em vários países.

A ansiedade pode ser justificada pela falta de entendimento do cenário ou pela incerteza e instabilidade em relação ao futuro. No Brasil, além do impacto econômico já esperado, a instabilidade política e a condição da saúde pública (já sucateada com todos os problemas antigos) são dois agravantes para esse mal estar psicológico.

Para todos, profissionais e empresários, o medo e a insegurança parecem ser um dos sentimentos mais presentes no atual momento. O medo das demissões e o impacto da pandemia na sobrevivência do negócio são exemplos das principais angústias de cada um respectivamente. O risco de contrair a doença atinge ambos.

Os empresários também lidam com a responsabilização pelo retorno seguro das suas atividades e de como os funcionários estarão aptos a isso. A nossa entrevista com empresários goianos do agronegócio e do setor industrial revelam a perspectiva deles em relação ao momento.

Os problemas de saúde mental dos profissionais no Brasil

Antonietta Medeiros, médica e diretora de gestão de saúde e qualidade de vida da Mercer Marsh Benefícios, em uma reportagem ao jornal Valor Econômico, destaca que os problemas de saúde mental estão entre o terceiro motivo de afastamento de trabalhadores no Brasil. Eles já vinham ocupando destaque no impacto da saúde dos trabalhadores brasileiros e agora são ainda reforçados pelos desafios exclusivos da pandemia.

É um assunto que deve sim estar na pauta dos empresários. Políticas de inclusão e apoio aos funcionários podem ser caminhos efetivos para relações de trabalho melhores considerando este novo contexto.

É importante também ressaltar o papel das mídias no emocional de todos. Não se pode desconsiderar o seu papel de divulgação de dados, mas é preciso reconhecer que a quantidade de informações negativas tem um impacto e pode agravar a saúde mental dos espectadores.

É necessário cautela, discernimento e criticidade em relação ao tipo de informação buscada porque isso pode ter bastante influência no que você está sentindo hoje e na sua motivação daqui para frente.

Isso é muito importante também se pensarmos na organização como um todo. Que tipo de informações são veiculadas na empresa e como são comunicadas, além de um olhar mais atento à saúde emocional dos líderes são questões a serem pensadas daqui para frente porque terão ainda mais impacto no emocional dos colaboradores.

Sentir emoções negativas agora é no mínimo aceitável. Como então perceber a gravidade?

O momento é difícil e, por isso, sentimentos ruins vão aparecer ou aflorar. O que precisa ser percebido é se essas emoções estão frequentes impactando de maneira muito profunda na sua rotina, trabalho e relacionamentos.

A psiquiatra Emanuelle Garmes, que atua no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, à reportagem publicada no jornal Valor Econômico, revela que o ponto de alerta é quando a pessoa perde o controle da situação e precisa de cuidados específicos. É necessário sabermos diferenciar o que são sentimentos típicos do momento, como tristeza e nervosismo, de transtornos de depressão e ansiedade.

Pode-se perceber que é um momento de caos para todos, mas também uma oportunidade para olhar para si com mais resiliência e cuidado não se deixando levar por todo o desespero coletivo que as mídias e a própria situação tendem a nos levar.

Mesmo tentando sinalizar e entender os aspectos que impactam a saúde mental de colaborador e empresário, o contexto nos revela que os medos são praticamente os mesmos. Somos humanos e as emoções que sentimos fazem nos assemelhar cada vez mais, solidarizar-nos e entender que todos, enfim, vivenciam desafios.

O momento precisa ser vivido e sentido. O autoconhecimento voltado para a conscientização das emoções e do impacto delas na vida e relações pode ser uma oportunidade para colaboradores e empresários cuidarem da sua saúde mental e lidarem com o medo que esta pandemia evidencia.

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