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Por que começar a criar um plano de sucessão familiar desde já?

Publicado em 13/04/2021

O Planejamento Sucessório é um instrumento para os proprietários construírem uma visão clara sobre a futura estrutura societária. Através de um plano e comunicação assertiva é possível vencer os desafios e minimizar possíveis problemas.

 

As organizações de hoje estão cada vez mais engajadas em trabalhar com mais responsabilidade e transparência para que seus clientes possam ter confiança nas mesmas. Para isso, planejar a sucessão se torna um elemento fundamental.

Uma sucessão familiar bem-sucedida é o resultado de um planejamento eficiente feito com cautela e antecedência para evitar conflitos e despreparo. Esse processo leva tempo e dedicação, além da determinação em fazer acontecer para que seja saudável, não apenas para o negócio, mas para as relações familiares.

A estrutura de empresa familiar é muito comum no mercado brasileiro. Para evitar danos patrimoniais e emocionais na hora de transferir a gestão para as próximas gerações, é fundamental desenvolver um plano para a sucessão familiar adequado ao modelo de negócios da organização.

O objetivo desse planejamento sucessório é construir mecanismos pacíficos de transição, que ajudem a família a usufruir seu patrimônio e a não destruí-lo.

Sistema Familiar

O Modelo dos Três Círculos elaborado por John Davis e Renato Tagiuri ajuda a enxergar a empresa familiar como um sistema formado por três conjuntos: família, propriedade e gestão.

 

Na prática, é nesse contexto onde a sucessão acontece com dois principais focos:

1º foco - Desenvolver a geração seguinte nos três papéis do sistema de empresa familiar: gestor, proprietário e integrante da família;

2º foco - Direcionar os fundadores para práticas que auxiliem na organização dos três papéis do sistema de empresa familiar: gestão, propriedades e família. 

Desenvolver a geração seguinte e direcionar os fundadores nos três papéis do sistema de empresa familiar é importante para:

  • preservar as tomadas de decisões dos fundadores com foco nas estratégias e resultados das empresas do grupo;

  • a análise das ações que impactam no planejamento estratégico para a implementação;

  • estabelecer os objetivos claros e entregas esperadas dos membros da família frente as propriedades e gestão, prezando pelo bom relacionamento familiar.

Possibilita assim o desenvolvimento de ações e decisões assertivas para a transição de geração, sucessão nas propriedades e na gestão, contribuindo, assim, para a longevidade do negócio.

O futuro: sucessão familiar

Planejar a sucessão auxilia os proprietários a formular uma visão clara sobre a futura estrutura societária, dentro de uma gama de alternativas teoricamente possíveis, a partir do exame de muitos precedentes, mais ou mesmo exitosos, das Empresas Familiares que já passaram pelo mesmo processo nos últimos anos.

Segundo dados do IBGE apenas 30% das empresas familiares chegam na segunda geração, e só 5% conseguem resistir até a terceira. Isso significa que, na maior parte das vezes, os herdeiros não estão preparados para tomar frente dos negócios e assumir os cargos de gestão da empresa familiar. Por quê?

Há alguns desafios:

1. Falta de interesse dos jovens devido a falhas de comunicação entre pais e filhos por divergência de objetivos de negócios. O interesse pode ser afetado ainda pelos recursos limitados para prosseguir com o negócio ou pelo herdeiro não saber como gerir a propriedade.

2. Despreparo dos herdeiros em administrar o negócio quando o fundador se ausenta, tomando decisões erradas que culminam na falência do negócio. Esse despreparo pode vir tanto pelo desinteresse quanto pelo perfil que não se encaixa no negócio. Em ambos os casos, o bom planejamento familiar pode simplificar o desafio de passar o bastão.

3. Rivalidades e conflitos de interesses sobre a herança resultam em desgastes de relacionamento e danos emocionais irreparáveis na relação entre os familiares. Assim, conciliar interesses pessoais e do negócio é uma habilidade difícil de desenvolver. Quando superadas as diferenças, o potencial de crescimento é muito grande. Somente a boa comunicação e o tempo podem resolver tais rivalidades.

4. Resistência do patriarca em abrir mão do comando da propriedade e passar o bastão para as novas gerações por medo de perder o poder e sua identidade como fundador e líder. Esse problema é um grande obstáculo ao crescimento.

5. Diferenças culturais entre as novas gerações e seus pais. A sucessão familiar exige que todos falem a mesma língua.

Por que começar a criar um plano de sucessão familiar desde já?

Idealmente, o processo de sucessão familiar leva tempo. De acordo com o histórico de pesquisas, ele deve ser considerado no mínimo cinco anos antes da saída do proprietário. Portanto, é um tempo hábil e importante para formar herdeiro e definir regras e responsabilidades com antecedência.

Devem ser construídas ações constantes e sólidas para garantir que os herdeiros estejam preparados para assumir as suas responsabilidades e deem continuidade aos negócios da família.

Conheça as melhores práticas para garantir que essa transição seja natural e bem-sucedida:

1. Essa jornada começa com o autoconhecimento para compreender em qual papel o herdeiro(s) se encaixa melhor na empresa: na administração, operação ou somente como acionista. Os que já estão decididos em participar da gestão da empresa devem começar a investir na sua formação e outros estudos que poderão contribuir para o futuro do negócio;

2. Depois disso, é recomendável que os herdeiros busquem também experiências fora do negócio familiar. A possibilidade de trabalhar em outras propriedades e desenvolver a sua própria identidade profissional sem a pressão do sobrenome pode ser um excelente caminho para a formação de um futuro gestor, pois, quando esse assumir um cargo no negócio familiar, terá autoridade técnica na área e mais segurança para liderar;

3. Quando chegar o momento de se voltar para os negócios da família é necessário conhecer tudo o que se relaciona com esses negócios, como os aspectos financeiros, processuais, humanos e tecnológicos. Portanto, é fundamental o levantamento de todos os dados do negócio:

  • Rentabilidade;
  • Tamanho e estrutura;
  • Recursos adquiridos;
  •  Histórico de crescimento;
  • Imóveis;
  • Documentos legais;
  • Custos totais;
  • Mapeamento de processos;
  • Fornecedores;
  •  Técnicas e métodos empregados.

 A ideia é que o sucessor ou sucessores tenha em mãos todos os dados necessários para entender como o negócio funciona. Para isso, tudo deve estar registrado, organizado e acessível. Esses serão insumos fundamentais para o herdeiro considerar em futuras decisões.

A escolha do sucessor é uma decisão de grande relevância. No caso de vários herdeiros, há de se delegar funções dentro do negócio. Como esse é um processo que pode envolver muitas emoções e egos dentro da família, o que não pode faltar é um mediador que não esteja emocionalmente envolvido com a família garantindo uma posição imparcial e profissional e facilitando essas conversas e definições.

Ao longo desse processo, é possível enxergar qual herdeiro terá mais facilidade para gerenciar o negócio da família, e os ajustes podem ser feitos. A ideia é que o plano seja flexível e novos rumos possam ser tomados conforme as necessidades.

Pela importância e complexidade que representa para a longevidade de uma empresa familiar, a sucessão deve ser encarada como um processo estratégico que requer planejamento, profissionalismo, previdência, comprometimento e zelo individual e coletivo.